segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vinicius de Moraes

Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

"Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Uva-japonesa


Já aqui falei da uva-japonesa.

Chegou a vez de apresentar o “fruto”, fruto entre aspas porque não sei se é fruto ou pé do fruto, o nome que se deve aplicar ao que se come. A árvore é de folha caduca e dei conta deles, depois da queda das folhas.

A árvore dá “uma espécie” de cachos de uvas com bagas na ponta. As bagas não se comem, mas contêm as sementes. O que se come é o correspondente ao engaço do cacho de uvas, ou seja o pedúnculo que suporta os bagos. Neste caso o pedúnculo é composto por uma matéria com a consistência da maçã.

O sabor, porque foi a primeira vez que o provei (só me tinham enviado as sementes), é doce ou mesmo muito doce, o sabor que se associa de imediato é de passa de uvas ou então aquelas uvas moscatel muito doces em ano de seca.

No Brasil chamam-lhe pauzinho doce. Um nome apropriado

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Pata de vaca

A pata de vaca (Bahuinia forficata ssp. pruinosa(Vog.) Fortunato et Wunderlin, antes Bauhinia candicans Benth) é uma árvore de clima subtropical, adaptando-se bem ao clima de Portugal (pelo menos na região Centro).
Árvore comum nas matas de Santa Catarina e do rio Grande do Sul, Paraguai, litoral do Uruguai e Noroeste da Argentina. Os troncos novos e pequenos têm picos pequenos e fortes.
È utilizada na medicina popular do Brasil, onde foram feitos muitos estudos farmacológicos. A sua utilização é como anti diabético, na terapia de apoio da diabetes mellitus tipo II. Utiliza-se o chá das folhas numa proporção de 1%.
Como ornamental também é bastante utilizada. Durante quase todo o verão tem flores brancas. As flores têm a duração de um dia, abrem com o nascer do sol, são brancas, vão amarelecendo durante o dia até ao pôr-do-sol, acabando por cair durante a noite.
As folhas costumam cair no Inverno, mas este ano e mesmo com o frio ainda está com o aspecto que se vê na fotografia.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Jorge Luis Borges

Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

in "A Cifra"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Medronhos...

Pai!!! Pai! -gritava o pequeno medronho
pendurado no ramo do medronheiro. -Estou
a ficar vermelho!

--E nós, quando é que amadurecemos? –
Perguntaram, impacientes, outros
medronhos ainda verdes.
Calma filho! – Interveio o medronheiro. –
Cada um de vocês terá o seu tempo próprio
para amadurecer. Assim podem alimentar
durante mais tempo, as aves que começam a
ter pouca comida.
De repente, apareceu um grande melro
que comeu o medronho mais madurinho que
estava na árvore.
-Oh! – Disseram os outros medronhos
cheios de medo.

Não se assustem – disse o pai medronheiro.
-O vosso irmão está muito contente, porque
já cumpriu uma das três missões dos
medronhos.
- Que missões?
-Alguns medronhos servem de alimento às
aves, outros dão origem a novos medronhos
e finalmente os que são apanhados pelos
homens são transformados em aguardente
de medronho. [...]

A história da castanha e do medronho -

História adaptada e trabalhada pela Turma B (3º e 4º ano ) Vila Alva, concelho de Cuba - Alentejo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um animal que faz fotossíntese


É uma pequena lesma marinha com três centímetros de comprimento, que vive na costa atlântica da América do Norte, e que tem um poder até agora desconhecido na Natureza entre o reino animal: depois de comer uma alga adquire a capacidade de fotossíntese característica das plantas.

Chama-se "elysia chlorotica" e foi descoberta por uma equipa de investigadores de universidades norte-americanas e da Coreia do Sul, liderada por Mary Rumpho-Kennedy, professora de bioquímica e investigadora na Universidade do Maine. Segundo a revista científica 'New Scientist', a lesma marinha "é a forma suprema de energia solar: come uma planta e torna-se fontossintética". Este híbrido animal-planta gelatinoso de cor verde parece uma folha de árvore e conquista essa capacidade - que se mantém durante vários meses - com genes provenientes da alga que come, a "vaucheria litorea".

O pequeno ser obtém os cloroplastos - isto é, os objectos celulares verdes ricos em clorofila que permitem às células das plantas converter a luz solar em energia - e armazena-os nas células ao longo do seu intestino. O mais curioso é que as "elysia chlorotica" no estado jovem que se alimentem de algas durante duas semanas, podem viver o resto das suas vidas - um ano, em média - sem comer.

Mas os cientistas ainda não conseguiram descobrir tudo sobre este estranho ser marinho, como reconhecem num artigo publicado na revista de referência mundial 'Proceedings of the National Academy of Sciences'. Com efeito, os cloroplastos contêm ADN para codificar apenas 10% das proteínas necessárias para os manter activos e a equipa norte-americana está a ponderar várias explicações para este mistério. Mas, apesar disso, Mary Rumpho-Kennedy admite que "estes organismos fascinantes podem transformar o próprio ensino dos princípios básicos da biologia".

Texto publicado na edição do Expresso de 29 de Novembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Goiaba (2)

Este ano, não foi bom ano para as goiabas, o Verão foi fresco, não houve aqueles dias de calor intenso.
Quando assim é o fruto das goiabas não se desenvolve. Com calor e regando bem, os frutos desenvolvem-se depressa.
Sem calor, mesmo regando, ficam do mesmo tamanho. Na goiabeira os frutos mantinham o tamanho desde Agosto, se cresceram alguma coisa não dei conta.
Com o frio que apareceu agora, o natural era caírem. Mas para surpresa minha, com as últimas chuvas e alto teor de humidadedo ar, mesmo com os 5ºC de temperatura mínima, começaram a crescer e já a mudar de cor.
Promete…

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pilritos

Pilriteiro que dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada um dá o que tem
conforme a sua pessoa.
x
Pilriteiro, os teus pilritos
São por certo coisa boa.
Porque me dás o que tens
És melhor que uma pessoa.
x

Pilriteiro, de mil pilritos
que entre todas as cores
escolhes a mais clarinha
para pintar as flores.

Guardas o vermelho rubro
que nem sempre diz coisa boa
para os carrapitos de Outubro
que encantam qualquer pessoa.

x

Bem cantados meus pilritos
Vermelhinhos a brilhar
Se só vieres em Outubro
Podes não l'os encontrar
Ó minha linda menina
Vem agora quer'te ver
Ao solinho de Setembro
Meus pilritos vais colher

Saudades do Dias com Árvores
Pilrito- fruto do pilriteiro, também conhecido como Espinheiro Alvar- Crataegus monogyna (Jacq.)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Rarindra Prakarsa



Fotógrafo Indonésio, nascido em Jakarta, diz que seu país é um dos melhores locais do mundo para qualquer amante da fotografia por causa da impressionante beleza das milhares de ilhas de lá. A bem da verdade Rarindra fotografaria bem em qualquer local do mundo independente do motivo e do local.


Uma imagem pode transmitir sensações pela luz, pela cor, pela textura, e pelo conteúdo que mostre, mas se essa imagem é melhorada com detalhes técnicos que nos dão uma sensação de profundidade, de terceira dimensão a coisa já muda para o plano da perfeição. Esta é a técnica utilizada por Rarindra Prakarsa que após fotografar, trabalha determinados elementos para dar maior dimensão a seus trabalhos. Acreditem ou não, o tímido Rarindra não se considera um fotógrafo profissional.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Bom tempo

A chuva do s. Martinho foi pouca, será que é desta que chove bem (sem excessos).

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Corações unidos

Esta planta, comum como ornamental, foi uma das primeiras suculentas que me atraiu. A sua classificação Ceropegia woodii, Schlechter, fica sujeita a posterior confirmação porque penso ter duas plantas idênticas com flores diferentes ou a mesma com dois tipos de flor na mesma planta.


Pesquisando sobre a planta e sobre a sua possível aplicação…
(além das folhas que dão origem ao seu nome vulgar, ela desenvolve pequenos tubérculos, sendo o maior que apanhei do tamanho de uma noz).
Embora não encontre nenhuma referência a esta espécie concreta, é afirmado que muitos tubérculos do género Ceropegia são usados como alimentos, normalmente cozidos porque em cru, o sabor é muito áspero, sendo o responsável, um alcalóide, ceropegin, que é anulado com a temperatura de ebulição da água.

É originária da África do Sul e encontrei uma referência que a cita como uma das possíveis plantas C4 (C4 identifica as plantas mais nutritivas da dieta humana) dos primeiros hominídeos, mas este é um assunto para pesquisa posterior...

Em relação à planta em si, já consegui que em zonas sem ventos este cordão de corações unidos atingisse quase 2 metros, colocada numa janela no cimo de uma escada. Posteriormente foi uma das que foi ficando sem cuidados especiais e agora estou a tentar recuperar novamente

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O fruto da Rosa




Gostava de poder classificar esta roseira como Rosa Gallicanae, mas não tenho certeza nenhuma. Esta classificação vem só do facto de ser a roseira de origem europeia. Possíveis cruzamentos entre esta e a roseira silvestre, a Rosa Canina, L.,deu origem a muitos híbridos, de classificação muito difícil (para mim).


Normalmente comem-se pêssegos, alperces, ameixas mas em relação às rosas só se vê a flor, dificilmente alguém associa a roseira com o fruto que produz, embora sejam todos da mesma família.

O fruto da roseira é comestível, pode ser utilizado em doces, na elaboração de vinhos ou xaropes ou ser comido ao natural.

O fruto contém caroteno, o composto idêntico ao que se encontra na cenoura e além disso uma série de compostos como açúcares (dextrose), pectina, ácidos vegetais, tais como: os ácidos málico, cítrico e ascórbico (vitamina C) que só dão vantagem ao ser humano que os ingere.

Por hoje fica uma receita que espero, este ano, experimentar, doce de frutos de rosa.

Lave bem os frutos da rosa, especialmente se desde a floração usou insecticidas ou fungicidas. Cozinhe os frutos até eles se começarem a desfazer. Retire a água e o puré resultante passe por um passador ou pano de modo a retirar as partículas maiores como a casca e as sementes. Adicione açúcar e limão ao gosto.

Ferver a nova mistura durante 10 a 15 minutos. Despejar em quente em frascos de vidro, rodar os frascos de modo a esterilizar os vapores.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Reminiscência

O rato pariu uma montanha

 cone. Mais do que um herói de animação, Mickey é um símbolo do século XX e da América. Tem uma estrela no Passeio da Fama e desde o início que foi um sucesso entre o público e uma mina de ouro para Disney
A ideia parecia absurda mas Walt Disney estava confiante: ter um rato, um animal de que todos tinham medo e que a todos criava repulsa, como personagem simpática e amigável era o desafio. O criador tinha apenas 26 anos e não havia muitos financiadores dispostos a investir dinheiro neste rato que começou por se chamar Mortimer mas que, por sugestão de Lillian, a mulher de Walt Disney, acabou por se chamar Mickey. Isto foi em 1928. E foi assim que, há 80 anos, nasceu uma estrela.
Apesar da data oficial de aniversário do Mickey ser 18 de Novembro, porque foi neste dia que foi lançado o filme Steamboat Willie, em que era protagonista, a verdade é que Mickey e Minnie apareceram pela primeira vez na curta Plane Crazy, produzida em Maio de 1928. Ub Iwerks foi o desenhador e realizou o filme juntamente com Disney. Nesta primeira aparição, Mickey constrói um avião, convida Minnie para voar e passa toda a viagem a tentar beijá-la. É um filme ao mesmo tempo amoroso e cómico, mas que acabou por não chegar ao cinema.
Apesar do fracasso, Disney insiste numa segunda curta-metragem com este rato: The Gallopin' Gaucho (a parodiar o filme The Gaucho, com Douglas Fairbanks), onde, além de Minnie, aparece pela primeira vez a personagem Bafo de Onça. Mas, mais uma vez, Walt Disney não conseguiu encontrar um distribuidor.
Steamboat Willie foi, na verdade a terceira curta-metragem de Mickey a ser produzida, mas foi a primeira com som e a primeira a captar, de facto, a atenção do público. Como de costume, Steamboat Willie foi co-realizado por Walt Disney e Ub Iwerks, responsável pela animação, e o filme era uma paródia assumida de Steamboat Bill Jr., com Buster Keaton. Um dos motivos do sucesso deste filme foi, sem dúvida, o modo como a banda sonora foi usada em interligação com a narrativa, algo que era pouco comum na altura, sobretudo para criar um efeito cómico. Disney aproveitou este sucesso para sonorizar e relançar os dois filmes anteriores.
A partir daí, ninguém conseguiu parar o Rato Mickey. Uma das particularidades destes primeiros filmes é que a voz de Mickey é assegurada pelo próprio Disney, o que aconteceu até 1946. Já, quanto ao desenho, em 1930 deixa de ser assinado por Iwerks, que deixa Disney para criar a sua própria empresa. Apesar de Walt Disney ter sido o autor da personagem, a verdade é que era Iwerks que desenhava e fazia toda a animação. Outros desenhadores e argumentistas foram contratados. Floyd Gottfredson foi, nos anos 30, o principal autor daquela que era já a mais famosa personagem da casa, começou também a aparecer em tiras publicadas na imprensa diária.
Mickey é o grande herói dos anos da Depressão. É nesta altura que surge a galeria de personagens que hoje todos identificamos, onde se destacam Pluto, Mancha Negra, Pateta ou Clarabela. Criado em 1934 para a série Silly Synphonie, Pato Donald tornou-se uma das mais populares personagens, acabando por ganhar o seu próprio universo. Tradicionalmente, Mickey surge de calções vermelhos e sapatos amarelos, uma homenagem de seu criador à Ordem de DeMolay, da qual era membro. Mas o Rato surpreendia a cada filme, ora era bombeiro ora cowboy, ora aventureiro ora detective. O público adorava.
Mickey foi a primeira estrela animada dos estúdios de Disney; recebia milhares de cartas dos fãs; Charlie Chaplin, um dos seus modelos, pediu que antes dos seus filmes passasse um desenho animado do Rato Mickey; Sergei Eisenstein gabou a "perfeição" da personagem; o Presidente Roosevelt queria que houvesse sempre um filme de Mickey na Casa Branca para ser exibido quando lhe apetecesse; o Rato Mickey foi um dos primeiros e principais alicerces do império que Walt Disney construiu. Em 1932 o Clube de Fãs de Mickey já tinha milhões de membros e Disney recebeu um Oscar especial pela criação desta popular figura. Em 1934, o merchandising associado ao Rato já rendia qualquer coisa como 600 mil dólares por ano.
Redesenhado e colorido, Mickey manteve-se no top. Em 1940 saiu o clássico da Disney, Fantasia, um marco a nível artístico e técnico, com som estereofónico, animação com cores e formas nunca antes vista. Desde então, apesar de aparecer em menos filmes (a Segunda Guerra Mundial levou a uma diminuição da produção dos estúdios mas também a novas estratégias e a novas personagens), Mickey ficou para sempre como o ícone da Disney - a tal ponto que uma das senhas das Forças Aliadas no Dia D, 6 de Junho de 1944, foi "Mickey Mouse".
Disney é o anfitrião óbvio da Disneyland, desde a sua inauguração em 1955. Em 1978, na celebração dos seus 50 anos, Mickey tornou-se a primeira personagem de animação a ter uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood.|

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Poejos




Os poejos (Mentha pulegium,L.) são uma planta aromática da família das mentas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mudanças climáticas

Dia de S. Martinho - está a chover!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Homem-terra

[…]A civilização confundiu de tal modo esta relação elementar homem-terra com engenhocas e intermediários que a consciência que temos dela está a tornar-se cada vez mais obscura . Imaginamos que é a indústria que nos mantém vivos, esquecendo aquilo que mantém viva a indústria. […]

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cochonilha australiana

Na groselha espim (designação para nome vulgar que me parece mais correcta que uva crispa) apareceu esta cochonilha [Cochonilha australiana (Icerya purchasi Maskell, 1878) também conhecida como Icéria].
O seu inimigo e predador natural é uma joaninha (Rodolia cardinalis, Mulsant, 1850) em que as pintas pretas estão ligadas entre elas, com fundo vermelho.
O problema das cochonilhas, além de sugarem a seiva da planta e a planta ressentir-se bastante, é o facto da sua excreção que é um líquido doce pastoso, desenvolver posteriormente fungos preto que também afecta o desenvolvimento da planta.
Este líquido é uma guloseima para as formigas que com as suas patas, espalham ainda mais este líquido e promovem ainda mais o aparecimento deste fungo.
Como a minha groselha espim ainda é um arbusto pequeno e esta praga está localizada a primeira acção é usar um algodão com álcool e limpar as hastes afectadas, e esperar que resulte.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Rainer Maria Rilke

[...]No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever[...]
In Elegias I;
Tradução de Paulo Plínio Abreu em parceria com o antropólogo alemão Peter Paul Hilbert.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Maracujá dos Açores

O maracujá que eu chamo maracujá dos Açores é o que penso ser Passiflora edulis, Sims. A fotografia é de Agosto deste ano, embora tenha 3 ou 4 frutos novos agora.
O facto deste ano ter carregado tanto pode ser boa e má notícia. Eu costumo dizer que se por exemplo um pé de maracujá está destinado a dar 1000 (o número é aleatório e só para facilitar as contas) frutos ao longo da sua vida, se der todos os anos 10 frutos, vive 100 anos(exagero), mas ser der num ano 500 e no outro a seguir 500, no ano seguinte ou durante o segundo ano que deu os 500, acaba por secar.

Estes números e estas contas são só para exemplificar que o tempo de vida de um maracujá pode variar normalmente entre os 5 e 10 anos em função da produção que teve. Nunca vi isto escrito em lado nenhum, mas é a experiência que tenho tido com os pés dos maracujás.

Este maracujá é mais pequeno que o maracujá que eu chamei de maracujá inglês, mas mais doce quando maduro, o que acontece quando está completamente roxo e de casca enrugada.

Em relação ao maracujá inglês classifiquei-o na altura sem certeza como sendo o P. edulis f. edulis. Hoje diria que o maracujá inglês parece mais próximo do P. edulis f. flavicarpa, classificação normalmente associada a um maracujá de casca amarela, mas espero sempre uma confirmação nestas questões. A flor é igual à do maracujá dos Açores, o fruto é maior e é mais brilhante.

domingo, 2 de novembro de 2008

Quando a água se confude

[…] Perto vê-se o gracioso meandro do velho leito seco de um ribeiro.
O novo leito do ribeiro foi cavado em linha recta como uma régua; foi “rectificado” pelo engenheiro da região para tornar mais rápido o escoamento.
Na encosta ao fundo há faixas de culturas em curvas de nível; foram “rectificadas” pelos engenheiros especializados no combate à erosão para retardar o escoamento.
A água deve estar confusa com tanto aconselhamento. […]

sábado, 1 de novembro de 2008

Pachira, Castanha do Maranhão

Ao limpar o quintal pisei um fruto, esborrachei-o e … não conheci o fruto…estava na zona do viveiro com vários vasos e das duas uma, ou alguém o atirou de fora ou era de uma das árvores que ali estava.

Se fosse só podia ser da Pachira, era o único fruto que ainda não conhecia, e o vaso tinha caído com o vento e quando o levantei era de noite.
Fui ver…e encontrei outro fruto na Pachira, ou seja, tinha florido este ano. Quando o constatei é que fiquei com pena de ter perdido a flor.


Com o Inverno a aproximar-se deve ser muito reduzida a viabilidade do fruto.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

René Char

Nos nossos jardins, preparam-se florestas

Poeta francês (1907-1988).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Papaia (2)

Começou como uma brincadeira (e de certa maneira continua a ser) junto ao meu local de trabalho ficou um canteiro cheio de restos de obras, dum edifício novo.
Falei com o jardineiro, um homem para cerca de 2ha, e pedi-lhe para ir lá deitar os cortes da relva que iam para o contentor . Falei com o homem da máquinas de café automáticas que ia deitar no contentor as borras do café, chá e chocolate para as colocar lá. Associado a regas regulares, durante 3 anos, mais as espécies excedentes do meu quintal, tem dado alguns resultados. Sem esquecer a orientação do canteiro – Sul, rodeado por um edifício a NO , N e a NE de quatro pisos, que cortam os ventos dominantes na zona.
Hoje em destaque as papaieiras do jardim escondido.
Já aqui mostrei a flor feminina do ano passado e cujos frutos acabaram por não vingar. Este ano com uma rega maior e com um Verão que não foi tão quente como o do ano passado, está com o aspecto que se vê na fotografia.

A classificação mais simples das papaieiras é a seguinte :

Tipo macho puro – Flores em inflorescências compridas e complexas quanto ao tipo de flores.
Tipo hermafrodita – As inflorescências têm poucas flores e estas são hermafroditas.
Tipo Fêmea – Com poucas flores sem estames.

Existe outro tipo e classificação em que se definem cinco tipo de flores diferentes, comuns ou não na mesma árvore e se formam quatro grupos diferentes de papaieiras em que se admite influências ecológicas mno aparecimento de diferentes tipos de flores. Ou seja ainda não é assunto em que a discussão técnica esteja arrumada.
Prefiro dizer que esta papaieira é hermafrodita, ou seja é auto fértil.
A flor masculina deste ano.

domingo, 26 de outubro de 2008

Bibliografia (1)



Este é um excelente livro técnico, onde aprendi muito sobre as frutas tropicais.
O sub título é “Espécie com frutos comestíveis”. O autor leva à letra este termo, referenciando inclusive os pequenos frutos que são usados em necessidade de sobrevivência, ou seja quando há fome, na dureza que a palavra indica quando a associamos a zonas como África e outras paragens tropicais.

Título: Fruticultura Tropical - Espécies com frutos comestíveis,
Vol. I - Espécies de A a D
Vol. II - Espécies de E a O
Vol III -Espécies de P a Z
Autor: J. E. Mendes Ferrão
Ano de Publicação: 1999 - 2002
Editora - IICT

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Guarda -sol

Eu quando vejo bagas numa planta, fica-me a um bichinho cá dentro a moer, a moer, para tentar descobrir se esse fruto não terá alguma utilidade.

Neste caso estamos a falar duma planta, usada como planta de interior com grande divulgação em Portugal. Os brasileiros chamam-lhe planta guarda-sol.
Pela primeira vez vi a sua frutificação, ainda se encontra num vaso mas está com um porte grande. É uma planta muito resistente, já se encontra no exterior há alguns anos e pega facilmente de estaca. Antes de avançar,gostava de avisar que até prova em contrário, as bagas desta são tóxicas.

A sua classificação é Schefflera arboricola Hay, (também conhecida como Heptapleurum arboricola Hayata), na planta da fotografia é a var. variegata, por ter a folha em tons de amarelo e verde.

A sua origem é Taiwan, mais precisamente da ilha de Hainan.
Daí fui à procura na origem, realmente a Flora da China , faz referência como sendo uma planta com utilização medicinal e ornamental. Da parte medicinal não encontrei mais referências, só que as suas raízes secas são vendidas como adubo verde, mas num site que não me dá grande confiança.

Vou pesquisar mais tarde e talvez volte a falar deste guarda-sol.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eduardo Lourenço

Ao realismo da aceitação do inaceitável preferimos sempre a luta pelo ainda não possível e até pelo impossível.

In "O Labirinto da Saudade", no capítulo- Sérgio como mito cultural -Edições D. Quixote

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Maracujá melão


Outra tentativa com os maracujás, este com três anos, deu pela primeira vez flor. Como muitas plantas tropicais a floração reage mais ao aumento da humidade atmosférica do que propriamente ao calor, começaram as chuvas e aí está a flor, que nesta espécie, ao aparecer nesta altura, não deve passar de flor. Se na Primavera florir, ainda tenho esperanças no fruto.

Em termos de volume este é o maior maracujá, daí o nome de maracujá-melão, também conhecido por maracujá-mamão, maracujá-grande, maracujá-cascudo.


O nome cientifico Pasiflora quadrangularis L. deve-se ao facto de o tronco apresentar quatro faces facetadas.O fruto, diz a literatura pode chegar a ter 30cm de comprimento e pesar 3kg.A casca chega a ter 5 cm de espessura.


Diz a literatura também que é muito difícil de se adaptar a regiões mais frescas que as tropicais. Bom para já, germinou de semente e deu flor, esperamos…

sábado, 18 de outubro de 2008

Feijoa 3

A – Fruto elipsóide casca semi-rugosa.
B – Fruto ovóide casca semi-rugosa.
C – Fruto elipsóide, casca lisa.
D – Fruto esférico casca lisa.
E – Fruto elipsóide casca muito rugosa

Já aqui falei da feijoa 1 2 [Acca sellowiana (O. Berg) Burret] e parece que em alguns locais já faz crescer água na boca.

É das mitraceas cultivadas pelos frutos que parece resistir melhor ao frio. Recebi sementes de várias origens. Desde o Porto, Brasil, Florida, O Jardim Botânico de Belém. A viabilidade da semente é curta se secar completamente, deve-se semear após a saída do fruto. Este facto fez com que recebesse sementes embrulhadas em guardanapos húmidos, frutos semi-podres, mas tendo esse cuidado, de semear logo, a germinação é fácil.

Devo dizer que a classificação das sementes com a origem perdeu-se, com mudanças de casa e transplantações (ando à procura de um método eficaz) embora tenha doado muitas das pequenas árvores, e as minhas como estava à espera de mudar de casa mantinham-se no vaso.
Este ano fiz uma colecta e os frutos são tão diferentes como as origens, tanto em forma como em sabor.

Mas antes uma descrição do fruto.

O Epicarpo (a casca) tem um sabor acre e desagradável pelo que deve ser sempre retirado quando se consome o fruto. O mesocarpo (o equivalente à parte branca da laranja debaixo da casca) em algumas variedades é mais espesso (na E) que outras, no fruto E é demasiado aromático, já me disseram que se torna enjoativo. O endocarpo (onde estão as sementes, o equivalente aos gomos da laranja) é a parte mais deliciosa para mim.

Os frutos da fotografia estão todos maduros (já foram comidos). O tamanho do fruto tem muito a ver, entre outros factores, com a quantidade de frutos que a árvore produz. A diferenciação do tamanho dos frutos na fotografia corresponde a árvores muito carregadas de fruto (os mais pequenos) e a árvores com um ou outro fruto esporádico (o maior).

Assim em termos pessoais de gosto, sempre subjectivo, diria que quanta mais lisa for a casca, mais saboroso é o fruto, ou dito de outra maneira, os frutos rugosos são mais aromáticos, mas um aromático em excesso, que torna às vezes enjoativo.

Só um pormenor, engraçado, nenhum destes frutos é das minhas duas árvores que tenho no quintal, ainda não deram embora as árvores produtoras sejam suas irmãs. Penso que a razão tenha a ver com o facto de as minhas terem estado muito tempo envasadas e as outras tenham um avanço de 3 anos, na terra, em relação às minhas

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Voltei e trago um livro para começar



Uma agradável supresa!

Descobri este livro recentemente, a edição é deste ano, de Março, fica, para já, a sinopse da editora (Sempre-em-pé) cujo site está em reconstrução.

Seis décadas passaram (1949-2008) sem que tivesse sido traduzida para português uma das obras mais importantes de sempre no domínio da ecologia e da natureza.
Com centenas de milhares de exemplares em várias línguas divulgados universalmente, A Sand County Almanac, de Aldo Lleopold, é hoje o clássico da natureza e da ecologia mais debatido em todo o mundo.
Para título desta primeira edição em língua portuguesa, Pensar Como Uma Montanha, foi adoptada uma expressão do próprio A. Leopold, na qual ele aponta para a necessidade de superar o ponto de vista estreitamente antropocêntrico e de ter sempre em conta o longo e o longuíssimo prazo, se se quer evitar a destruição acelerada da natureza, e da humanidade com ela.

Críticas de imprensa

  • Aldo Leopold ergue-se hoje bem alto, tal um pinheiro gigante, visível dos mais remotos cantos da terra e pistas de cimento da civilização.

Wisconsin State Journal, 1965

Críticas

  • Podemos dizer com segurança que este livro será lido décadas a fio, e provavelmente durante séculos.

William Vogt


  • O livro é uma revelação dos sentimentos íntimos de um homem que sente plenamente as maravilhas da natureza. Mais, ele celebra um sentido especialíssimo e muito raro da ética e da filosofia.

Fairfield Oosborn


Excerto da obra


  • Que nos diz Lleopold? Muito simplesmente (mas não de modo simplista), a necessidade de fazer uma revolução. E é essa a força primeira do Almanaque; há nestas páginas a experiência de um homem, toda a sua vida: durante esse meio século, Aldo Leopold viveu a passagem do mundo antigo à idade nuclear, experimentou todos os progressos e todos os fracassos da época moderna.

J. M. G. Lle Clézio, prefácio à edição francesa
  • Aldo Leopold é um dos clássicos absolutos a que deu origem o pensamento ecologista. Este livro, em que encontraram alimento intelectual e espiritual várias gerações de ecologistas, deu origem à ética ecológica como disciplina filosófica de nítido perfil, e unifica com inimitável frescura as observações naturalistas de primeira mão e a reflexão de fundo sobre a relação entre o ser humano e a biosfera.

Da edição espanhola a cargo de Jorge Riechman



Site da fundação ligada ao autor
http://www.aldoleopold.org/index.htm

domingo, 20 de abril de 2008

Desconhecida



Uma dúvida na classificação deste arbusto, com a particularidade de esta fotografia ter sido tirada em Fevereiro (no Jardim de Évora), estando carregado de frutos.
Fiquei inicialmente com duas hipóteses, mas penso que estão as duas erradas. Não sei se a cor dos frutos corresponde a alguma fase de maturação ou se os frutos estão completamente formados.
O sanguinho legitimo (cornus sanguinea) tem os frutos muito mais arredondados e a cor dos frutos é mais perto do negro.
O Viburnum lantana tem as folhas com margem serrada.

Se alguém puder ajudar…E já agora se estas bagas são venenosas ou não

Éo Viburnum tinus L

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Rainer Maria Rilke

XXI

Eis outra vez a Primavera. A Terra
é um menino que sabe dizer versos;
tantos, oh tantos... Po aquele esforço
de longo estudo vai receber um prémio.

Severo foi o mestre. Nós gostávamos
da brancura da barba daquele velho.
Agora podemos perguntar o nome
do verde, o azul: ela sabe, ela sabe!

Terra feliz, em férias, brinca agora
co'as crianças. Queremos agarrar-te,
Terra alegre. A mais jovial consegue-o.

Oh, o muito em que o mestre as instruiu
e o impresso nas raízes e nos longos
troncos difíceis: ela o canta, canta!

(de Sonetos a Orfeu - tradução de Paulo Quintela)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, pediu recentemente desculpas aos Aborígenes da Austrália.

Os Aborígenes da Austrália foram simplesmente levados à beira da extinção pelos colonizadores Ingleses. Habitavam o continente há mais de 25 mil anos (provado através de testes de carbono 14 em pinturas em pedras).

O quadro da fotografia tem o título The Dreamtime Sisters dancing, o autor é Colleen Wallace Nungari, aborígene, vive numa região da Austrália com um nome interessante: Utopia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Cogumelo desconhecido

Tenho dificuldades em classificar cogumelos e fungos, aliado ao receio que uma má classificação pode originar.
Os exemplares da fotografia cresceram num tronco duma araucária cujo destino era a lareira. (mas que neste ano, se continuar assim, nem a lenha gasto).
No meu amadorismo, diria que era o Trametes versicolor L..
Outras classificações possíveis Fomitopsis pinicola (Sow.)Kickx ou Bjerkandera fumosa (Pers.) P. Karst..
Alguma ajuda?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Eucaliptos

Gosto do eucalipto. Esta minha afirmação não costuma ser bem compreendida. Vem normalmente à discussão o mal das plantações de eucaliptos em massa, concordo, é uma questão diferente da quero falar hoje aqui.

O eucalipto como árvore isolada ou encadeada num meio de um arboreto, não deixa de ser uma árvore imponente e bela. Estou-me a lembrar como exemplo maior, os eucaliptos na mata do Buçaco.

Tenho outras razões para gostar do eucalipto. Na minha infância, no bairro onde morava, em frente da casa, havia uma pequena rua só para uso do bairro, a seguir uma faixa de terra que nos separava da estrada principal.

Nessa faixa de terra havia uma fileira de plátanos alguns 30, mas novos, com pouca idade, pequenas árvores que “pouca luta” davam quando queríamos subir a elas. Com a mesma idade, penso eu, havia dois eucaliptos.

Estes dois eucaliptos já os recordo como árvores de respeito. Havia na altura o hábito de se referenciarem árvores grandiosas, que o seriam tanto mais, quantos mais homens fossem necessários para abraçar o seu tronco. Aqueles eucaliptos estavam entre os dois e três miúdos de 10 anos, dois não conseguiam, três já dava folga, para nós, eu e os meus colegas da brincadeira eram as árvores mais grandiosas do nosso universo.
Mas a prova que não éramos a primeira geração de miúdos a olhar para eles duas vezes, estava no seu troco. Nada de um eucalipto de tronco direito e altivo. Tronco inclinado, retorcido, muitos ramos laterais e com uma copa larga.

Era o nosso ponto de encontro no Verão, principalmente nos dias quentes. Era também o ponto de retorno das brincadeiras, corríamos estafados e suados para a sua sombra. Os pequenos plátanos ainda não conseguiam oferecer a sombra que resistisse ao calor.

Era nessa altura que começava a caça aos pequenos pedaços da sua casca, em fatias estreitas, fixas com um arame em cima de uma cana, construíam-se, pequenos “geradores eólicos”, tanto mais perfeitos quanto as curvas e contracurvas da casca fossem trabalhadas. Proporcionavam um modelo aerodinâmico, para nós na altura, que podia concorrer com os modelos dos aviões do Major Alvega.

Claro que o tronco dos dois eucaliptos estava sempre praticamente liso.

Hoje já não existem os eucaliptos, continuam os plátanos e a fazer boa figura, já árvores a caminho doa sua plenitude.

No jardim de Évora, na zona chamada Parque das merendas, deparei-me com este eucalipto, majestoso… Tanta matéria-prima desaproveitada. E a razão destas recordações.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cana de açucar

A cana de açucar (Saccharum officinarum L.) no Jardim Garcia de Orta, talhão da Macronésia, (Lisboa, Parque das Nações) com um estranho vigor nesta altura do ano.
Qualquer dia, nova alternativa agrícola no continente.

Árvores do Alentejo

Horas mortas… Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Papoila

A nossa papoila vulgar, Papaver rhoeas L. raça strigosum (Boenn.) Samp. (se não me engano), que segundo a Flora Digital de Portugal, devia florir em Abril-Maio está em flor no inicio de Fevereiro.
Não está no meio duma seara de trigo, é verdade.
E para os que acham que o clima de Portugal não está a mudar também se pode chegar à conclusão que um campo de coentros favorece a floração das papoilas fora de época.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Sábado à noite, a tentar dormir, um zumbido ao ouvido.
Mosquitos em Janeiro!
De consolo, só serve o facto de perceber que estão menos enérgicos que no Verão, ou dito de outra maneira, apanham-se mais facilmente.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Veris eta facies

Nos próximos dias 1 e 2 de Fevereiro, a Nova Orquestra Sinfónica de Lisboa e o Coro da Nova Orquestra Sinfónica de Lisboa, com a participação dos solistas Elvira Ferreira, Carlos Guilherme e Luís Rodrigues, sob a direcção do maestro Albertino Monteiro, irão interpretar a cantata medieval “Carmina Burana”, de Carl Orff.

A palavra latina Carmina é o plural de carmen (canção, na língua portuguesa). O título inteiro significa literalmente: Canções dos Beurens. Esta última palavra refere-se aos textos escolhidos para esta cantata secular, descobertos, em 1803, num velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, sudoeste da Alemanha.

A obra divide-se em três secções:
o encontro do Homem com a Natureza (Veris eta facies),
com o dom do vinho (In taberna)
e com o amor (Amor volat undique).

Uma triologia interessante

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Abacate (5)

Uma das maneiras de reproduzir o abacate, a primeira que eu tentei e que tenho observado várias vezes, é a que está assinalada na fotografia, basta um copo de água, e três palitos. Uma das vantagens deste processo, é o facto de os abacates estarem mais disponíveis e com um preço mais baixo no Inverno. Como o tempo de viabilidade da semente é muito curto, este processo permite manter a semente dentro de casa a uma temperatura mais amena.
Um processo dito para acelerar a germinação, difundido em várias fontes, é partir a semente ao meio e colocar só a parte que tem o “gomo vegetativo” (não sei a classificação botânica correcta), dizem que a germinação é mais rápida.
A germinação depende de outros factores, e um deles é o grau de desenvolvimento do caroço dentro do fruto, muitas vezes quando se apanha o abacate, a semente já vem com o principio de raiz formado, a semente estalada e com muita sorte, só me aconteceu uma vez, o rebento a sair do meio do caroço.

Um processo dito para acelerar a germinação, difundido em várias fontes, é partir a semente ao meio e colocar só a parte que tem o “gomo vegetativo” (não sei a classificação botânica correcta), dizem que a germinação é mais rápida. Penso que depende de outros factores, e um deles é o grau de desenvolvimento do caroço dentro do fruto, muitas vezes quando se apanha o abacate, a semente já vem com o principio de raiz formado e com a semente estalada e o rebento a sair do meio
Embora menos estético, funciona.

Claro que acerta altura me perguntaram, mas se ele se desenvolve em água, a terra não é mais nutritiva. Claro, se o semearmos em terra e a mantivermos húmida, a planta a nascer desenvolve-se mais rapidamente e com maior vigor. De notar que à vinte anos tentei plantar abacates na terra, nos meus inícios de introdução de novas plantas e na terra o Inverno acaba por queimar as plantas jovens. Só quando passavam o primeiro Inverno com o caule já sem a cor verde, lenhoso é que se começavam a aguentar.
Hoje, a nível da latitude de Lisboa, quando plantados em Dezembro, Janeiro, se mantiver o local onde foram semeados húmido, os abacates nascem normalmente durante o principio da Primavera, em Março.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Miguel Torga

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

In Cântico do homem

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Maracujá azul (2)

O fruto da flor já apresentada, pendente no Jardim Garcia de Orta, Parque das Nações (Lisboa), no talhão Brasil_Açores.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Robert Lenoble

O historiador deve pois acostumar-se a esta evidência de que a Natureza só será concebida como uma realidade por si mesma na medida em que a consciência tiver conquistado uma certa liberdade em relação aos seus próprios problemas. Até essa altura, a Natureza estará condenada a viver o drama humano.
In História da Ideia de Natureza, ed. Edições 70 (2002)

sábado, 5 de janeiro de 2008

Abacate (4)

Sobre o abacate e a utilização em cremes de beleza ou a sua aplicação directa na pele (ex. mascaras faciais)

Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia A. P. Cunha, A. P. Silva, O. R. Roque,
ed. F.C.G (2003)

Farmacologia e Actividade biológica

Do fruto extrai-se um óleo cuja composição é próximas do obtido das sementes. Os óleos são usados como protectores e
regeneradores da pele e usados em muitos cosméticos. O insaponificável destes óleos pela sua riqueza em carotenos, tocoferóis e fitosteróis é usado também como fonte de pró-vitaminas solúveis nos óleos.
[…]
A nível da derme tem efeito regenerador ao proteger as
proteases e as colagenases tecidulares. […]
As folhas pelo óleo essencial têm acção microbiana e pelos taninos são adstringentes.
Os links apresentados são simples orientação sobre o tema

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Thom Hartmann

[...] Mas primeiro recuemos um momento e consideremos uma questão importante: se estamos no mau caminho, porque razão isso não é óbvio?

in As últimas horas da antiga luz do sol ( 1999)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Abacate (3)




Sobre a utilização das folhas do abacateiro, em chás. Se notarem nos chás de emagrecimento tão em moda, a maior parte contém folhas de abacateiro. E um dos chás que bebo e não desgosto.
Na seguinte obra:
Farmacognosia – Aloísio Fernandes Costa – II volume, Edição da Fundação Calouste Gulbenkian (1994)
Pode-se ler:

Na terapêutica utilizam-se as suas folhas de propriedades diuréticas […] inodoras e de sabor adstringente fraco.
O constituinte activo é o D-perseitol, isolado dos frutos e depois reconhecido em toda a planta, portanto também nas folhas. Com efeito, verificou-se experimentalmente que possui propriedades diuréticas comparáveis à da teobromina (molécula retirada do fruto do cacau), com a vantagem de ser destituído de toxicidade. Revelou-se um diurético directo, não manifesta actividade cardíaca nem sobre a pressão arterial.
[…]
Explica-se assim o emprego frequente das folhas de abacateiro na medicina caseira, sobre a forma de chás, como diurético.
Figura

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Abacate (2)

Escreve Mendes Ferrão no Fruticultura Tropical, volume III (2002)
Para os índios (América Central e México) o abacateiro fazia parte das árvores importantes da sua vida e era considerada como quase sagrada. Tida como um autêntico favor dos deuses, era planta que dava força e virilidade e curava-os de diversa doenças. Alguns ainda hoje ligam ao consumo do abacate propriedades afrodisíacas.
Na altura da maturação dos frutos, era hábito no Peru organizar-se uma festa, a Axatacayimita ou Lacatacayimita muito ligada à iniciação dos jovens, femininos e masculinos. Aliás a designação abacate significa nalgumas línguas locais, árvore dos testículos o que dá bem a noção desta crença.
A circunstância de não ter o sabor típico das outras frutas, associada ao facto de a semente perder muito rapidamente o seu poder germinativo e as plantas jovens serem muito delicadas, fez com que a espécie ficasse circunscrita à América e que as introduções efectuadas noutros territórios não tivessem ocasionado a sua dispersão.