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domingo, 8 de janeiro de 2017

O Guia das Aves de Aquilino Ribeiro

  Um livro com um cd onde consta a leitura dos texto e o canto das respectivas aves, está esgotado, em livro + CD, mas em ebook mais mp3 está disponível  (5,99€)




Guia das Aves de Aquilino Ribeiro
Ana Isabel Queiroz (antologia e texto introdutório)

ILUSTRAÇÃO Maico (Carlos Pimenta)
MÚSICA ORIGINAL José Eduardo
Rocha (JER)
LEITURA Fernando Alves
 Sinopse
Antologia de excertos da obra aquiliniana nos quais se descrevem mais de 60 aves selvagens, seus habitats e relação com o Homem. A compilação é de Ana Isabel Queiroz, que no ensaio introdutório traça o percurso da descrição de aves desde os primeiros "bestiários" até à literatura científica de hoje, passando pela cultura clássica grega, pela tradição popular e pela literatura portuguesa, na qual Aquilino se destaca como verdadeiro naturalista amador. Desperto pela riqueza e variedade das vocalizações das aves e dotado de um ouvido musical que lhe permitiu verter foneticamente as frases escutadas neste processo de comunicação, o escritor revisita na sua obra a produção acústica da vida selvagem, dando-lhe notoriedade.
A acompanhar o livro, ilustrado por dezenas de aguarelas do biólogo e artista plástico Maico (Carlos Pimenta), um CD áudio regista a leitura de 25 desses excertos por Fernando Alves, enriquecidos por gravações de aves do projecto "Paisagens Acústicas Naturais de Portugal" e separados por 16 peças musicais originais de José Eduardo Rocha.

Guia das Aves de Aquilino Ribeiro é o título de estreia da colecção "BOCAGE - Ciência e Arte", baptizada em homenagem ao poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage  (1765-1805) e ao zoólogo José Vicente Barbosa du Bocage (1823-1907), autor da primeira lista comentada de aves de Portugal Continental (em 1862) e primeiro curador do Museu de História Natural de Lisboa.


Apoios: CIBIO, Museu de História Natural da Universidade do Porto, Fundação Aquilino Ribeiro (e os Municípios de Moimenta de Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva), IELT/UNL, e o projecto Paisagens Acústicas Naturais de Portugal (ISPA-MNHN).

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Aquilino Ribeiro


A bolota taluda ficara ali muito quieta, muito bem refastelada em virtude do próprio peso, enterrada que nem pelouro de batalha depois de passarem carros e carretas. Que fazer senão deitar-se a dormir?! Dormiu uma hora ou uma vida inteira, quem sabe?! Um laparoto veio lá de cascos de rolha, rapou a terra, fez um toural, aliviou-se, e ela ficou por baixo, sufocada sem poder respirar, em plena escuridão. Estava no fim do fim? Um belisco, e do seu flanco saiu como uma flecha. Era de luz ou de vida? Era uma fonte ou antes um cântico de ave, de água corrente, de vagem a estalar com o sol (... )? Era tudo isto, encarnado no fogo incomburente que lhe lavrava no flanco, verbo que acabou por irradiar do próprio mistério do seu ser.


Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta.


A Casa Grande de Romarigães (excerto)