domingo, 24 de abril de 2011

Ka’a He’e ou como uma planta pode começar uma guerra



A Ka’a He’e, que significa folha doce no dialecto guarani, povo originário da zona da América do Sul entre o Brasil, Paraguai e Bolívia.

No Ocidente a primeira referência vem de Petrus Jacobus Stevus (Pedro Jaime Esteve), físico e botânico espanhol, a latinização do seu nome deu origem a stevia (Stevia Rebaudiana Bert.), Desde estes primeiros contactos que esta planta é referenciada como adoçante.

A história como tantas outras começa a ter o seu quê de caricato.

Em 1899 um botânico suíço, Moisés Santiago Bertoni, durante uma expedição ao Paraguai, descreveu em detalhe o sabor a utilização da planta

A partir dos anos 60 do século passado, pretendeu-se utilizá-la como adoçante alternativo ao açúcar extraído da cana. São referenciados vários valores em termos da potência adoçante relativamente ao açúcar, desde 30 a 45 considerando a folha fresca, que é utilizada individualmente ou nos chás e comidas.

250 a 300 vezes considerando só um dos compostos, a stevioside (Steviol glycoside, ou esteviosídeo em brasileiro), descoberta por purificação do extracto seco em 1931 por dois químicos franceses. Esta substância é estável perante o calor da confecção dos alimentos, tem um PH estável e não fermenta.

Em 1971 uma empresa japonesa Morita Kagaku Kogyo Co. Ltd, começou a produzir um adoçante de nome stevia, que passou a ser utilizado em produtos alimentares, bebidas e como substituto do açúcar de cana à mesa. Neste momento 40% do açúcar utilizado no Japão tem esta origem. Uma das razões deste sucesso foram estudos realizados no Japão que demonstram que este adoçante natural é bem tolerado pelos diabéticos, não produzindo efeitos secundários .

Na Europa, a últimas directiva (2000/196/EC) referente a esta planta, baseado num - Opinion on STEVIOSIDE AS A SWEETENER (CS/ADD/EDUL/167 final 17 June 1999) diz que é recusado a autorização de entrada no mercado da planta ou de qualquer extracto dela proveniente.

Este estudo conclui que o esteviosídeo pode apresentar problemas para a saúde humana nomeadamente problemas cancerígenos e na fertilidade masculina. A tese é baseada em estudos de várias universidades. Note-se que as doses utilizadas em animais chegam a ser de 2500 mg/kg por dia, (embora comecem com 10 mg/kg/dia).

Em contas rápidas:

2500mg=2,5g

Uma pessoa com 50 Kg, teria que tomar durante 30 dias seguidos

2,5x50=125g

Um pacote de açúcar tem o peso médio de 7g.

125g/7=18 pacotes

O estudo reconhece que o poder adoçante é 250 a 300 vezes o da sacarose

18x300= 5400 pacotes

A conclusão é que referência do estudo chega a um caso limite em que se estão a dar o equivalente a 5400 pacotes de açúcar por dia a uma pessoa de 50kg, no caso eram ratos de laboratório (tipo F344).

Os ratos machos desenvolveram tumores nos testículos. Notam também que com um terço da dose não foram detectadas anomalias.

Sobre o consumo ao natural existe outro estudo da comunidade  Europeia - Opinion on Stevia Rebaudiana Bertoni plants and leaves (CS/NF/STEV/3 Final 17 June 1999). Neste caso dizem que não havendo estudos que provem a segurança do consumo em fresco da planta esta não é permitida no espaço Europeu, entretanto a França conseguiu uma autorização especial para a sua cultura de modo a estabelecer parâmetro s de cultivo (patentear uma variedade?).

Nos Estados Unidos da América foi proibida, sendo permitida à pouco tempo só como suplemento alimentar.

O aspartame é um adoçante artificial criado em laboratório e descoberto por acaso por um químico da empresa G.D. Searle em 1965. A Monsanto comprou a G.D.Searle em 1985. A produção está assim garantida sob o escudo da patente.

Dizem as más-línguas que uma planta, que não pode ser patenteada, com estas características poderia causar algum dano na indústria deste produto.

A Coca-Cola com uma experiência feita no Japão está a tentar introduzzir este composto na confecção da suas bebidas.

A stevia na minha varanda deu-se bem com este Inverno, e está a florir agora, e embora, sob o risco de cometer uma ilegalidade, este post foi escrito mastigando umas folhas.

6 comentários:

Maria Paz disse...

Gostava de ter uma plantinha destas.

Filipe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Filipe disse...

Já deu flor, esperemos pelas sementes, se conseguir a germinação, depois ofereço, à Maria Paz troco por uma caixa...

Anónimo disse...

O organismo europeu que estuda a segurança já fez estudo e comcluiu que era segura.
Nos supermercados nas zonas edulcoraste já aparece extracto de stevia.
Em Portugal pode não dar sementes viáveis faltam os insectos polinizadores.
Comprar sementes ou no site www.stevialusa.com ou ebay

Olharuco disse...

Tenho uma há cerca de um mês, comprada no Continente de Santarém, onde de vez em quando aparecem.
Assim, pelos visto cessou a proibição ou ninguém fiscaliza e ainda bem. Entretanto plantei dois raminhos que estão a vegetar muito bem, por isso, a semente é desnecessária.
Também estou a ganhar o vício de ir sugando as folhas. Dá bem-estar. hehehehehe

Blogger disse...
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