terça-feira, 13 de novembro de 2007

Regressando

[…]
A chave do regresso e a opressão do regresso,
Desde regresso e desde regressar, regressando
(A solidão do Outono e a fatalidade do Outono,
Outono ou Outono, Outono sempre,
Outono se assemelhando, Outono semelhante,
A solidão de ter e de não ter feito,
Sendo mais nada em nada, ou nada,
E tempo de considerar […]
Canto terceiro de Exemplo Geral, 1966
João Vário

Após um dia tristonho,
de mágoas e agonias
vêm outro alegre e risonho:
são assim todos os dias
António Aleixo

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Oregãos


Existe hoje uma teoria, gastronomia darwinista, bastante plausível, de que o hábito de utilizar e apreciar condimentos do tipo especiarias ou ervas aromáticas terá sido transmitido genética e culturalmente, através de gerações e está relacionado com a actividade antimicrobiana da maior parte dessas substâncias. Em zonas do globo onde as condições climáticas são mais propícias ao desenvolvimento de microrganismos nos alimentos, esses condimentos terão tido um papel importante na preservação da espécie humana, evitando infecções causadoras de doença, principalmente nos tempos em que a tecnologia do frio ainda estava bem distante.
Tudo o que fazemos aos alimentos – secar, salgar, fumar, cozinhar ou adicionar certos temperos - é uma tentativa de impedir que eles sejam deteriorados pelos micróbios que connosco competem. .... Os homens sempre viveram numa luta de competição para os alimentos com os parasitas e os patogénicos e os livros de receitas são o registo escrito dessa luta.
Programa Ciência Viva - Margarida Guerreiro M. Conceição Loureiro Dias, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa
Os orégãos (Origanum vulgare L.) da fotografia têm um papel antimicrobiano nos seguintes bactérias:
Aeromonas hydrophyla, Bacillus cereus, Bacillus subtilis, Clostridium botulinum, Listeria monocytogenes, Escherichia coli, Salmonella pullorum, Staphylococcus aureus e Streptococcus faecalis (
Paul W. Sherman. Dasrwinian Gastronomy. Junho de 1999).
Só uma nota final, leio frequentemente que se tempera com "folha de orégãos", eu normalmente utilizo só a flor e na sua fase final , as folhas quando secas tornam-se um pouco ásperas, o que leva certas pessoas a não gostarem destetempero.


segunda-feira, 30 de julho de 2007

"Deixai-os crescer juntos"

Lolium temulentum Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé’s (1885) www.biolib.de

A citaçãoapresentada no título deste post é da Bíblia (Mateus 13,24-30) e refere-se ao trigo (Triticum spp.) e ao joio (Lolium temulentum L.), devem-se separar só após a colheita.

No contexto biblico, esta parábola tem um sentido preciso, que não é o que eu quero aqui reflectir.

Numa leitura paralela, não deixa de ser um bom slogan contra o uso dos herbicidas.

Groselheira branca

Custa-me classificar esta planta como Ribes rubrum L., de igual modo como a groselheira vermelha, já que os seus frutos são quase brancos, mas é mesmo a mesma espécie.

Esta groselha, segundo os entendidos, é menos ácida que a vermelha, embora continue a ser ácida.
A da figura, é o primeiro ano que dá e deu poucas, é um arbusto com dois anos. Espero que os melros me deixem provar os frutos na completa maturação.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Manuel Gonçalves



Variedade: Catherine

...

O pêssego é a melhor fruta
que em todo o Verão se apresenta,
o maior senão que tem
é a maldita barejenta.

Se não fosse a barejenta,
eu requentava os lugares
dos calvos e amarelos
dos dourados e mulares....

“Feiticeiro do Norte”

Poeta madeirense,(1858*-1927)