terça-feira, 16 de maio de 2006

Afídeos ou pulgões

Ou também chamado piolho das plantas.
Nesta altura é muitas vezes uma dor de cabeça nas plantas.
Tenho ouvido várias receitas para tratar, digo eliminar, e essa receita transportada para outro local, muitas vezes não resulta.
A questão é darmos o mesmo nome a seres diferentes, e seres diferentes com diferentes resistências.

Vem isto a propósito dum post desiludido no Sargaçal por uma primeira expriência com a calda de urtigas., que não deu certo.


Uma primeira lista (pesquisa na Wikipédia, cada vez melhor) com a espécie de afídeo e o hospedeiro normal

Piolho-verde (ou as variantes afídio-verde, afídeo-verde ou pulgão-verde) é a designação comum de diversas espécies de afídios:

Piolho-negro, afídio-negro, afídeo-negro ou pulgão-negro é o nome comum a diversas espécies de afídios:

sexta-feira, 12 de maio de 2006

"Xeixos brancos"

A história é simples, para afugentar as formigas e os pulgões, alguns agricultores tradicionais de Sendim, após a poda da videira, colocam um pedaço de quartzo branco no topo da videira.

O desenvolvimento desta história, muito bem documentada, no final, através dalgum trabalho de investigação, conclui:

Recordando o conto popular muito difundido, entre nós, da formiga que ficou com uma pata presa na neve e invoca o Sol, para a derreter, não nos parece um exagero de imaginação aceitar que a velha filosofia camponesa - uma sabedoria empírica - que, um pouco por todo o lado, se tem perdido, mas da qual se podem encontrar resquícios nos provérbios e nos contos, tenha registado que a formiga foge da neve.

Daí não ser difícil de aceitar que, no princípio da Primavera, quando rebentam as primeiras folhas da vinha, e os insectos invadem os campos, a «visão» da neve (ou a reflexão da luz imitando a neve) afaste, por condicionamento, as formigas, das cepas, onde um pedaço de quartzo brilha, como se neve fôra.

Acentue-se, porém, que este raciocínio, sem o apoio científico dado pela experimentação, e que não encontrámos expresso em nenhum dos trabalhos que consultámos, quer de Ecologia, quer de Entomologia, não passa de mera hipótese.
Modernamente, porém, sabe-se que a cor amarela atrai os Afídeos e, contrariamente, a cor branca, devido a fenómenos de reflexão da luz (comprimentos de ondas curtas) os afasta. .

terça-feira, 9 de maio de 2006

A Viagem dos coentros (1)

O coentro (Coriandrum sativum, L.) é uma pequena erva aromática, da família das umbelíferas que praticamente toda a gente conhece, utiliza no mais variados pratos e que qualquer quintal tem sempre um canto onde se plantam.
É uma planta que tem acompanhado o homem através de toda a civilização.

Coriandrum1.jpg

O nome dessa planta tem origem grega "koriandron", que significa percevejo (Theophrastus spp.).e do latim “sativum” que quer dizer “o que é semeado”

Em termos históricos existe muita informação dispersa, mas tornam os coentros uma das espécies actuais com maiores referências históricas. A origem da espécie é genericamente considerada como sendo Costa do Mediterrâneo (Sul da Europa, Oriente Médio e África do Norte), mas...

folha_coentro.jpg

citando algumas referências históricas

- A descoberta de frutos de coentros na gruta de Nahal Hemar em Israel. A idade destes frutos foi estimada em 8000

- Alguns escritos sânscritos, falam da cultura de coentros (‘dhanayaka’ ou ‘kusthumbari’)
na antiga Índia Há aproximadamente 7000 anos, mas existem poucas plantas fósseis que sustentem estes textos.

- A biblioteca do rei assírio Ashurbanipal do 7sec AC contém documentos relativos ao cultivo de coentros.


- Foram encontrados também no Egipto muslin indiano, algodão e coentros, com possível proveniência da Índia, estes achadso estima-se ser do ano 3000 AC

Coriandrum2.jpg

- No Egipto, no reino de Ptolemy III (Ptolemy Euergetes), (246–221 AC) existe um relato de um marinheiro indiano encontrado no Mar Vermelho e dentro de trocas estabelecidas entre egípcios e indianos, focam-se sementes de coentros

- Um papiro de 1550 AC cita os coentros como planta medicinal

- No túmulo de Tutankhamon foram encontradas sementes de coentros

- São citados duas vezes na Bíblia,
no Livro do Êxodo 16:31 “A casa de Israel deu-lhe o nome de maná. Era como semente de coentro; era branco, e tinha o sabor de bolos de mel.”
E no Livro dos Números 11,4-9 E era o maná como a semente do coentro, e a sua aparência como a aparência de bdélio.

-Na China , os coentros são mencionados como um vegetal num livro sobre agricultura do sec. V, usando aoalavra persa para o designar, sugerindo que foi introduzido na China através desta área


- Plínio (23-79 DC) foi o primeiro a dar-lhe o nome coriadum.

( continua...)

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Albano Martins

Pequenas coisas

Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.

terça-feira, 18 de abril de 2006

Aromáticas e medicinais

Um a escrita solta, um desabafo, depois de andar a ver blogs a falarem de ervas aromáticas

Interesso-me também muito por plantas aromáticas, ditas medicinais. Pena que o seu estudo não se aprofunde mais.

E quando digo aprofunde, é mesmo no sentido lato. Para mim falta uma variável importante nas ervas medicinais.

O princípio é simples, a verdade duma planta, não é a flor, nem a folha, nem a raiz, a verdade duma planta é a terra, onde ela cresce, em função dela as suas características podem diferir. Uma laranjeira só dá laranjas doces se, além da sua qualidade, tiver um solo que proporcione o bom crescimento dos seus frutos.

Nas plantas medicinais falta saber a concentração, que um determinado solo, gera em princípio activo na planta.

O teor ou percentagem de químicos, que o funcho dos Açores, do Alentejo ou do Minho é diferente e o seu efeito no corpo humano também pode variar.

Um exemplo típico dessa diferença é o tomilho, chamada planta polimorfa (várias formas), o óleo essencial é o timol, mas em função da característica do solo em que ele é plantado, até o seu cheiro é diferente. No caso de Portugal existe uma variedade de thymus, na zona da Beira Baixa que se chama serpão ou sarpão, tem um cheiro característico, diferente do tomilho, mas tentem trazer um pé de lá como eu, plantem na terra e esperem um ano, O aroma transforma-se completamente e passa a cheirar a tomilho, ou entre este e o tomilho-limão, mas nada que se pareça com o serpão.

Agora se trouxerem um saco de terra da Beira Baixa, aí para os lados de Castelo Branco, plantarem-no num vaso e forem acrescentando terra da mesma origem, o aroma mantêm-se.

Embora acredite na essência do princípio das plantas medicinais, mas não com um chá por dia (embora aqui também haja casos e casos), porque a maior parte das vezes a concentração é mínima e é preciso alguma continuidade para se ver os efeitos, existe falta de estudo que dê informação sobre a concentração dos químicos que originam o(s) princípio(s) activos de cada planta.

Já agora quando alguma médica vos disser que qualquer remédio à base de uma planta é um plancebo (substância sem efeito), como aconteceu comigo, perguntem se quer tomar um chá de cicuta.