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domingo, 10 de janeiro de 2016

Modo de citação




Nunca tinha compreendido que a possibilidade de nos concebermos a nós próprios como uma coisa una e ordenada, como um ser humano, depende da existência de uma probabilidade de futuro.

O próprio sentido do eu assenta no facto de ele poder existir no dia seguinte também (pag. 96).

Neste romance Lars Gustafsson utiliza um processo muito simples e muitas vezes explorado, que consiste em aproveitar apontamentos particulares encontrados depois da morte do personagem e publicados por ordem aproximada (na introdução do livro por Carl:Gustav Bjurstrom).
(Fotografias em Cascais)


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O que ando a ler

O Tratado da Árvore revelou-se um livro para outros dias, isto é, para uma maior disponibilidade mental.
Robert Dumas pretende fazer da árvore um tema filosófico e construir a partir dele o seu sistema.
Assim vagueei por Ferreira de Castro, que continuo a achar fascinante e encontrei na estante um livro que tenho comigo desde o século passado e com o aparecimento nas livrarias de uma nova edição nas livrarias, dei por mim a pensar que nunca o tinha chegado a ler.

Só um paragrafo para abrir o apetite a futuros leitores:



[...] É curioso. Já quase não tenho a sensação de ter uma alma. Sinto-me perfeitamente límpido, tranquilo e vazio por dentro. Há as vozes dos pássaros e há a luz vermelha sobre aquele órgão de rocha e há o sabor amargo, forte e puro do café sem açúcar. Mas não há amarguras, nem recordações, nem angústias. Estou suspenso num giroscópio. Vazio, puro e limpo.

Talvez tenha finalmente conseguido. Talvez me tenha libertado, contando [...]