segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Sementeira

    Cresce a semente
    lentamente
    debaixo da terra escura.
 
    Cresce a semente
    enquanto a vida se curva no chicomo
    e o grande sol de África
    vem amadurecer tudo
    com o seu calor enorme de revelação.
 
    Cresce a semente
    que a povoação plantou curvada
    e a estrada passa ao lado
    macadamizada quente e comprida
    e a semente germina
    lentamente no matope
    imperceptível
    como um caju em maturação.
 
    E a vida curva as suas milhentas mãos
    geme e chora na sina
    de plantar nosso suor branco
    enquanto a estrada passa ao lado
    aberta e poeirenta até Gaza e mais além
    camionizada e comprida.
 
    Depois
    de tanga e capulana a vida espera
    espiando no céu os agoiros que vão
    rebentar sobre as campinas de África
    a povoação toda junta no eucalipto grande
    nos corações a mamba da ansiedade.
 
    Oh! Dia de colheita vai começar
    na terra ardente do algodão!
 
    1955 1a Versão José Caveirinha

Recomeçar

Recomeça ...
Se puderes,
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
do futuro,
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances,
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

 
Miguel Torga

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Numa época em que o homem adorava árvores

Na tentativa de salvar post antigos do Amador da Natureza e também por falta de tempo de criar post novos, vou reeditando alguns.
Este blog vai-se desenvolvendo com alguns documentos que vou tirando dos meus arquivos, sem eu propriamente intervir, falta de tempo, acima de tudo. De qualquer maneira vou partilhando ideias …
Este é o estrato duma lenda que sustenta um dos mitos do cambolé afro-brasileiro. Embora não professe o sentido religioso do texto crio sempre uma empatia especial com qualquer referência que me faça lembrar que houve uma época em que o homem adorava árvores
“No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Iroco.
Iroco foi a primeira de todas as árvores,
mais antiga que o mogno, o pé de obi e o algodoeiro.
Na mais velha das árvores de Iroco, morava seu espírito.
E o espírito de Iroco era capaz de muitas mágicas e magias.
Iroco assombrava todo mundo, assim se divertia.
À noite saía com uma tocha na mão, assustando os caçadores.
Quando não tinha o que fazer, brincava com as pedras
que guardava nos ocos de seu tronco.
Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal.
Todos temiam Iroco e seus poderes
e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.
(...)”. PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 164.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Costela de Adão

Foto

Esta planta, Monstera deliciosa Liebm., da família das Araceae, conhecida em Portugal por costela de Adão, tem um fruto bastante saboroso.

Normalmente isto é desconhecido pela maior parte das pessoas, embora no Mercado do Funchal ele seja vendido.

Em vaso a planta normalmente não dá fruto, mas quando colocada em terra, uma planta de dois anos já produz. Como planta é uma trepadeira, e gosta de sombra. É vista muito como ornamental em Portugal.

As folhas e os caules desta planta são tóxicos, têm ácido oxalico. O fruto deve ser comido quando está maduro, isso nota-se porque tem uma casca composta por segmentos hexagonais verdes, quando o fruto está maduro, soltam-se revelando uma polpa esbranquiçada por baixo também distribuída em hexágonos.

O busílis da questão é que nos vértices destes hexágonos existem uns umas pequenas lascas pretas, que juntamente com a polpa podem ser desagradáveis quando se comem.

A minha técnica é com um garfo levantar devagar a polpa banca, as pequenas lascas ficam agarradas à parte central do fruto.

Estes frutos estão quase a amadurecer nesta época do ano.

O sabor do fruto lembra uma mistura de banana e ananás.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Murta




As árvores pelo seu porte, sobressaem na paisagem, os arbustos, mesmos quando se trata de um arbusto monumental, pode passar depercebido. No jardim de Évora onde tirei esta fotografia, até se afirmam, destacados

Este é um arbusto monumental, não sei a idade mas concluo-o pela espessura do tronco tipo de nós e casca. Permite também pelo seu tamanho admirar com um olhar mais próximo o trabalho da natureza.

Trata-se da murta ou murteira (Myrtus communis) é um arbusto da família das Myrtaceae, uma das famílias de plantas que mais aprecio, fiquei a saber, embora tarde, que foram levadas sementes para o espaço desta planta. O objectivo é fazer testes sobre a germinação de plantas nativas de vários países. O projecto é a bordo do Vaivém Espacial Endeavour (voo STS-108, Dezembro de 2001) e faz parte dum projecto Ciência Viva, infelizmente a página do projecto não tem mais informação sobre os testes.

A utilização referenciada para esta planta: Alimentar (aperitivo, um licor obtido por infusão alcoólica dos murtinhos e designado por "arrabidino"); cosmética (óleo essencial obtido a partir das folhas), medicinal (anticatarral e antiséptica); ornamental.