
Amador ...que ou o que ama ...que ou quem se dedica a uma arte ou um ofício por gosto ou curiosidade, não profissional ...que ou aquele que ainda não domina a actividade a que se dedicou, revelando-se inábil, incompetente
terça-feira, 7 de março de 2017
segunda-feira, 6 de março de 2017
Jean -Luc Godard
Quando o pai
do pai do meu pai tinha uma tarefa difícil de executar, ia a um certo lugar na
floresta, fazia uma fogueira… e mergulhava numa prece silenciosa. E o que tinha
a fazer era feito.
Quando o pai do meu pai se confrontou com a
mesma tarefa, ia ao mesmo lugar na floresta e dizia: ‘Já não sabemos acender a
fogueira, mas ainda sabemos a prece’. E o que ele tinha a fazer foi feito.
Mais tarde… Quando
o meu pai se confrontou com a mesma tarefa, também ele foi à floresta e disse:
‘Já não sabemos acender a fogueira. Já não conhecemos os mistérios da prece,
mas ainda sabemos o lugar exacto na floresta, onde tudo acontecia. E isso deve
bastar’. E foi o suficiente.
Mas quando me deparei com a mesma tarefa,
fiquei em casa e disse… ‘Já não sabemos acender a fogueira. Já não sabemos as
preces. Já nem sabemos onde fica o lugar na floresta. Mas ainda sabemos contar
a história’
Jean-Luc Godard, Hélas Pour Moi [1993]
domingo, 5 de março de 2017
Darwin, Huber, as azedas, os piolhos e as formigas
Azeda - Rumex sanguineus
L
Entre os exemplos que conheço de um animal que executa
um ato com o fim único aparente de este ato aproveitar a outro animal, um dos
mais singulares é o dos pulgões, que cedem voluntariamente às formigas o
líquido açucarado que segregam. Foi Huber que primeiro observou esta
particularidade, e os fatos seguintes provam que este abandono é muito voluntário.
Depois de ter tirado todas as formigas que cercavam uma dezena de pulgões
colocados numa planta de Rumex, impedi durante algumas horas a aproximação de
novas formigas. Ao fim deste tempo, convencido de que os pulgões tinham
necessidade de excretar, examinei-os à lupa, em seguida procurei com um cabelo
acariciá-los e irritá-los como fazem as formigas com as antenas, sem que
qualquer deles excretasse fosse o que fosse.
Deixei depois chegar uma formiga, que, na precipitação
dos seus movimentos, parecia consciente em ter feito um precioso trabalho;
começou logo a palpar sucessivamente com as antenas o abdômen dos diferentes
pulgões; cada um destes, a este contato, levantava imediatamente o abdômen e
excretava uma gota límpida de líquido açucarado que a formiga absorvia com
avidez. Os pulgões mais novos faziam o mesmo; o ato era, pois, instintivo, e
não o resultado da experiência. Os pulgões, segundo as observações de Huber,
não manifestam certamente qualquer antipatia pelas formigas, e, se estas
faltassem, acabariam por emitir a secreção sem o seu concurso.
Mas, o líquido sendo muito viscoso, é provável que seja
vantajoso para os pulgões o serem desembaraçados dele, e por isso o não
segreguem para simples vantagem das formigas.
in DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, no meio da seleção natural ou a luta
pela existência na natureza, 1 vol., tradução do doutor Mesquita Paul.pag. 276
pela existência na natureza, 1 vol., tradução do doutor Mesquita Paul.pag. 276
quinta-feira, 2 de março de 2017
História...
Prefiro, embora reconheça as contradições e a heterogeneidade
do real ou do comportamento humano, tentar descobrir, por detrás delas, as
harmonias resultantes dessa espécie de fantástica sinfonia que é a História,
feita da incomensurável mistura de elementos de toda a espécie, tão dispersos e
contraditórios como a própria vida, mas de cuja rede infinitamente complexa é
fascinante procurar os eixos, os encontros e desencontros, os paralelismos e as
divergências. As secretas regras da composição não se poderão reduzir, nunca,
creio, a nenhum sistema válido, a nenhuma gramática definitiva, mas procura-las
e dizer o que julguei descobrir é tão apaixonante como o prazer de viver.
José Mattoso, A escrita da História – teoria e métodos,
Editorial Estampa, 1997
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