quinta-feira, 9 de maio de 2019

Maçã do canguru



A maçã do canguru, Solanum laciniatum Aiton, Hort. Kew. 1: 247 (1789), fotografada na Lagoa Azul em Sintra, uma exótica da Austrália como o nome indica, resto disperso de algum jardim.
Em alguns sites aparece como tendo os frutos comestíveis, mas eles são muito tóxicos quando estão verdes e podem provocar problemas do foro digestivo, náuseas e às vezes febres.
São consumidos pelos Aborígenes da Tasmânia e pelo povo Maori da Nova Zelândia.
É cultivada no Ocidente como fonte de solasodina para compostos corticosteróides, que são utilizadas em medicamentos anticonceptivos.

segunda-feira, 6 de maio de 2019




Não há explicação para um poema. Todas as explicações ficam aquém desse milagre de juntar palavras que produzem uma sensação do inefável. A vida simbólica não explica, sugere o que não estava previsto nas estrelas.

Frei Bento Domingues, Público 28/4/2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Liberdade

LIBERDADE

Nos meus cadernos de escola
Na minha carteira e nas árvores
Nos areais e na neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel cinza
Escrevo o teu nome

Sobre as imagens douradas
Nos estandartes guerreiros
Tal como na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Nas selvas e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco dos dias
Nas estações enlaçadas
Escrevo o teu nome

Nos meus farrapos de azul
No pântano sol alterado
No lago luar vivente
Escrevo o teu nome

Nos campos do horizonte
Sobre umas asas de pássaro
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar e nos barcos
Na serrania demente
Escrevo o teu nome

Na clara espuma das nuvens
Nos suores da tempestade
Na chuva insípida e espessa
Escrevo o teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos de muitas cores
Sobre a verdade da física
Escrevo o teu nome

Nas veredas bem despertas
Nos caminhos descerrados
Nas praças que se extravasam
Escrevo o teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Nas minhas casas unidas
Escrevo o teu nome

No fruto partido em dois
do meu espelho e do meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo o teu nome

No meu cão guloso e meigo
Nas suas orelhas erguidas
Na sua pata sem jeito
Escrevo o teu nome

Na soleira desta porta
Nos objectos familiares
Na língua de puro fogo
Escrevo o teu nome

Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome

Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome

Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome

Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome

E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear

Liberdade

                        Paul Éluard (França, 1895-1952)

segunda-feira, 18 de março de 2019

Mia Couto

...E todo o silêncio é música em estado de gravidez.

in Jerusalém 

sexta-feira, 8 de março de 2019

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mar calmo



Tranquilo, o mar não canta nem ondeia.
O nauta, imerso noutro mar de mágoas,
Os olhos tristes e úmidos passeia
Pela tranquila quietação das águas.

A onda, que dorme quieta, não espuma;
O astro, que sonha plácido, não canta;
E em todo o vasto mar, em parte alguma
A mais pequena vaga se levanta.

Johann Wolfgang von Goethe

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Taioba


Tenho duas plantas da família das araceae, disseram-me que eram comestíveis, mas nenhuma delas é o inhame dos Açores (Colocasia esculenta(L.) Schott))

 



















Xanthosoma violaceum Schott  - direita
Alocasia macrorrhizos (L.) G.Don - esquerda

Encontrei este blog com este post que me me esclareceu as dúvidas, comestíveis mas muito bem cozidas



Postado por Guilherme Ranieri


sexta-feira, 27 de junho de 2014
Taiobas, a confusão: Guia Definitivo de Identificação 

A primeira vez que ouvi falar de taioba foi numa história meio trágica, meio cómica. A irmã de uma vizinha estava com a casa em obras, levantando um muro de arrumo no fundo da casa. Trabalhavam lá três pedreiros. O problema: a casa era no meio do nada, e no primeiro dia dos trabalhadores, não havia muita coisa para o almoço. E, obviamente, nenhum bar ou padaria por perto. O almoço saiu de improviso, talvez um frango caipira, feijão, farinha e uma verdura. Época de seca, não tinha nada na horta. Correu para a matinha lá perto, lembrava que a mãe colhia umas folhas verdonas que nasciam sozinhas perto do "corguinho"(curso de água pequeno). Era a taioba. Picou como se fosse couve, refogou e serviu.

Resultado: Todos cuspindo e babando, a língua inchando, uma pinicância absurda "tem veneno nessa bóia aqui, dona?".

A dona, coitada, lembrava da verdura de infância, que sua mãe fazia picadinha. Mas poxa, era tão parecida! O problema é: parecida não é idêntica. A taioba é uma plantinha traiçoeira, porque confunde-se com outras espécies do mesmo gênero, não comestíveis.

Nunca ouviu falar? A taioba é uma hortaliça que está voltando a ser consumida e cultivada nas hortas. Bem lentamente, verdade. Mas pergunte por aí - certamente alguém já ouviu falar ou já comeu, ou conhece alguém que já comeu. É consumida igual a couve, refogada, ou em outras inúmeras receitas, como molhos verdes, pastéis, bolinhos e suflês.

É uma planta que gosta de ambientes sombreados e húmidos, como terrenos abandonados, próximo a muros ou ainda perto de córregos(
lugares em que a água é corrente, e não parada.). Por isso, observe se a área não é contaminada, porque um ambiente contaminado resultará em folhas contaminadas. Também evite colher as folhas de locais com muito sol - elas se defendem do sol fabricando "defesas" que deixam a folha com um teor maior de substâncias tóxicas. Prefira sempre as plantas que crescem com folhas grandes em ambientes sombreados.

Para fazer mudas, você pode remover os brotos laterais que as plantas mais velhas soltam, replantando-os. Inicialmente as folhas são pequenas, mas em solos férteis e bem irrigados elas podem ficar enormes. E, se você mora em locais cujo inverno é muito seco, pode ser que elas hibernem e fiquem sem as folhas até a volta das próximas chuvas.

Fato: é fácil identificar a taioba?

Existem diversas plantas, da família das Araceas, muito parecidas com a Taioba. Contudo, poucas possuem as folhas comestíveis após cozimento. Das comestíveis, estão inclusas no gênero Xanthosoma: Xanthosoma sagittifolium (conhecida como Taioba) e Xanthosoma mafaffa (chamada de Mangarito).

Porém, há muitas espécies que as folhas, ricas em ácido oxalico e outras substâncias, são tóxicas e causam irritação na boca. Essas espécies possuem tantos cristais de oxalato que, mesmo cozidas, seu consumo não é seguro. Elas estão principalmente no gênero Xanthosoma, Alocasia e Colocasia.

Vamos ao teste: quais das plantas abaixo é a Taioba?

1
 
2
 
3

4

5
 
Antes de eu dar a resposta, fiz um pequeno e simples infográfico explicando como identificar. 

(Clique na imagem para ampliar)


Tente voltar e descobrir qual é. 

Já dou a resposta. A taioba verdadeira é a Imagem 4. Das demais: Imagem 1 - taioba roxa, da qual se come o rizoma. Alguns autores citam o consumo das folhas, mas é preciso cozinhar demais e muita gente passa mal com elas. Imagem dois corresponde ao inhame, do qual se comem o rizoma, sempre cozido e nunca cru. A terceira foto é o singônio, uma planta que, apesar de ter todas as características de uma folha de taioba, é uma planta trepadeira e muito venenosa. A última foto é a Xanthosoma albomarginata, uma parente da taioba, de folhas com manchar brancas, unicamente ornamental.

(Taioba Verdadeira. Clique para ampliar)



(Falsa Taioba/ Taro ou Inhame)
Há ainda espécies do gênero Alocasia, que são parecidas com a Taioba. Mas a diferença é fácil. As folhas da Alocasia apontam para cima. As da Taioba, para baixo. Mais informações sobre as raízes comestíveis do gênero Alocasia, ou inhame gigante, aqui, em inglês.
Essa é a Alocasia macrorrhiza. Parece com a taioba,
mas as folhas apontam para cima. Come-se o rizoma,
idêntico ao inhame, muito bem cozido.
Acho que agora dá pra consumir com mais segurança, certo? Se não tiver certeza, não consuma. Nem sirva pras visitas. Melhor ficar na dúvida, certo?

Taioba, modo de preparo:
  1. Ferva água, adicione as folhas picadas ou inteiras.
  2. Aguarde uns segundos e remova as folhas.
  3. Descarte a água.
  4. A Taioba está pronta para ser consumida.
Caso vá consumir os talos, cozinhe por 3 minutos e escorra. O calor inativa substâncias tóxicas, e os cristais de oxalato ficam na água.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

José Ortega e Gasset (1883-1955)

Eu, sou eu e a minha circunstância


 Yo soy yo y mi circunstancia …

Meditaciones del Quijote, publicado em 1914.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Louva a Deus

Estamos no Inverno, caem as folhas verdes e a louva a Deus (Mantis religiosa) muda de roupagem para passar o Inverno despercebida nas suas caçadas.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Lição sobre a água


Este líquido é água.

Quando pura
é inodora, insípida e incolor.

Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais

Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

António Gedeão