quarta-feira, 8 de março de 2017

Marmeleiro do Japão





O marmeleiro do Japão, Chaenomeles japonica (Thunb.) Lindl. ex Spach, que dá poucos e pequenos frutos, mas é um espectáculo a anunciar a Primavera.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Jean -Luc Godard



Quando o pai do pai do meu pai tinha uma tarefa difícil de executar, ia a um certo lugar na floresta, fazia uma fogueira… e mergulhava numa prece silenciosa. E o que tinha a fazer era feito.

 Quando o pai do meu pai se confrontou com a mesma tarefa, ia ao mesmo lugar na floresta e dizia: ‘Já não sabemos acender a fogueira, mas ainda sabemos a prece’. E o que ele tinha a fazer foi feito. 

Mais tarde… Quando o meu pai se confrontou com a mesma tarefa, também ele foi à floresta e disse: ‘Já não sabemos acender a fogueira. Já não conhecemos os mistérios da prece, mas ainda sabemos o lugar exacto na floresta, onde tudo acontecia. E isso deve bastar’. E foi o suficiente.

 Mas quando me deparei com a mesma tarefa, fiquei em casa e disse… ‘Já não sabemos acender a fogueira. Já não sabemos as preces. Já nem sabemos onde fica o lugar na floresta. Mas ainda sabemos contar a história’
 
Jean-Luc Godard, Hélas Pour Moi [1993]

domingo, 5 de março de 2017

Darwin, Huber, as azedas, os piolhos e as formigas




 Azeda - Rumex sanguineus L
Entre os exemplos que conheço de um animal que executa um ato com o fim único aparente de este ato aproveitar a outro animal, um dos mais singulares é o dos pulgões, que cedem voluntariamente às formigas o líquido açucarado que segregam. Foi Huber que primeiro observou esta particularidade, e os fatos seguintes provam que este abandono é muito voluntário. Depois de ter tirado todas as formigas que cercavam uma dezena de pulgões colocados numa planta de Rumex, impedi durante algumas horas a aproximação de novas formigas. Ao fim deste tempo, convencido de que os pulgões tinham necessidade de excretar, examinei-os à lupa, em seguida procurei com um cabelo acariciá-los e irritá-los como fazem as formigas com as antenas, sem que qualquer deles excretasse fosse o que fosse.
Deixei depois chegar uma formiga, que, na precipitação dos seus movimentos, parecia consciente em ter feito um precioso trabalho; começou logo a palpar sucessivamente com as antenas o abdômen dos diferentes pulgões; cada um destes, a este contato, levantava imediatamente o abdômen e excretava uma gota límpida de líquido açucarado que a formiga absorvia com avidez. Os pulgões mais novos faziam o mesmo; o ato era, pois, instintivo, e não o resultado da experiência. Os pulgões, segundo as observações de Huber, não manifestam certamente qualquer antipatia pelas formigas, e, se estas faltassem, acabariam por emitir a secreção sem o seu concurso.
Mas, o líquido sendo muito viscoso, é provável que seja vantajoso para os pulgões o serem desembaraçados dele, e por isso o não segreguem para simples vantagem das formigas.

in  DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, no meio da seleção natural ou a luta
pela existência na natureza, 1 vol., tradução do doutor Mesquita Paul.pag. 276