terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ainda em flor




O Almeirão (Cichorium intybus var  intybus) é uma variedade  da chicória, ainda se encontra em flor, é quando começa a florir  que se deve deixar de comer as folhas, nessa altura muito amargas, pode-se começar então, a comer as suas pétalas

sábado, 10 de setembro de 2016

Amo-te

Sequoia sempervirens (D. Don) Endl -Parque do Castelo da Pena - Sintra

[...] Ensina-me a transformar um raio de Sol em suculenta carnadura,
e nesses perfumes subtis que a toda a hora perdes,
prolongando o teu ser no ar que te emoldura.


É através de ti, ó Árvore, que celebro os esponsais entre mim e a Natureza.

É através de ti que bebo a nuvem fresca e mordo a terra ardente


É de ti que recebo as leis do Amor e da Beleza.

Amo-te, ó Árvore, apaixonadamente!

In Declaração de Amor – António Gedeão

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Gramínea - Quando os campos ainda não estavam secos


Barragem da Mula (Sintra)

A maior, arriscando uma classificação é a Hordeum murinum L., com o nome vulgar Cevada das lebres, cevada dos ratos, Erva da espiga.
A mais pequena Briza maxima L. (ou media, ou minor??) com o nome vulgar de Abelhinhas, Bule-Bule, Camainhas do diabo.
Do site do herbário da Universidade de Coimbra podemos ler:
A morfologia típica de uma gramínea é muito semelhante em todas as espécies: um caule geralmente oco, com nós engrossados, no qual se inserem as folhas com uma forma tendencialmente linear, e de nervação paralela (em todas as espécies portuguesas). Estas folhas têm uma morfologia muito típica: a parte proximal forma uma bainha que envolve parte do caule, a qual termina no limbo foliar. Na articulação entre estas duas partes existe um prolongamento – a lígula – em forma de membrana ou de uma fiada de pêlos.
Porém, a característica mais marcante desta família reside na morfologia da flor. Esta é um exemplo de redução floral fantástico. Entenda-se por “redução”, o processo evolutivo que conduz à perda de estruturas que, outrora funcionais, terão perdido a sua função e, como tal, razão de existir.
A sua aparente simplicidade estrutural fez com que se tenham considerado as gramíneas como plantas primitivas. Essa ideia está, contudo, ultrapassada.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Nem todo o mato é orégãos.


Assumia esta frase como um provérbio popular, até esta descoberta:
Quinta-feira, 10 de Julho de 1880 ,  Diário de Notícias,
Detalhe curioso, na edição de 10, o Diário de Notícias publica uma carta do poeta (Luis de Camões) – ele mesmo – em que este se lamenta de não ter notícias “d’essa terra” e escreve:

“d’ante mão vos pago com novas d’esta, que não serão más no fundo de uma arca para aviso de alguns aventureiros que cuidam que todo o mato é orégãos e não sabem que cá e lá más fadas ha.”

Texto de Abel Coelho de Morais, DN, As festas do tricentenário da morte de Camões - 16/10/2014

A fotografia é a espécie que classifico como Origanum vulgare, a fotografia do post anterio seria O. Virens ou a subespécie aí referida. Esclarecimentos são bem vindos.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Está na hora de os apanhar


Está na altura de apanhar os orégãos, mais uns dias de sol forte e começam a ficar queimados, as sépalas a passar do verde-claro para castanho e perde-se uma grande parte do aroma. 

O termo Origanum vem dos gregos, de oros e ganos, que significa a alegria das montanhas.

Existem duas espécies que se distinguem pelo habitat em que vivem
O Origanum. virens  ( ou Origanum vulgare L. subsp. virens (Hoffmanns. & Link) Bonnier & Layens)  cresce em sítios secos e áridos, margens de campos cultivados e sebes. A flor é sempre branca. Classifico este como sendo o que é espontâneo em Portugal.


O Origanum vulgare cresce em sítios frescos, margens de ribeiros e de campos cultivados. Normalmente é a espécie que é comercializada podendo a flor ser branca, vermelho purpurascente e rosada, ou matizes entre estes tons. As plantas do O. Vulgare podem apresentar acentuada variabilidade morfológica, sobretudo na inflorescência, devido à origem diversa das plantas adquiridas no comércio. Existem também já vários cultivares (1) desta espécie,
clinkle leaf- folhas douradas e encaracoladas e aromáticas,
variegatum – folhas verdes levemente aromáticas e manchadas de dourado,
aureum – folhas ligeiramente aromáticas, que se enrugam à luz directa do sol, ~
compact  pink flowered – folhas verdes escuras de aroma forte e penetrante, fascículos compactos, cor de rosa escuros.

A composição química de cada uma das espécies é muito próxima e parece não depender tanto da variedade em si, mas sim da constituição do solo em que crescem.
Será talvez um dos melhores anti-sépticos naturais conhecidos, devido ao elevado teor em timol e carvacrol (em seco). Utiliza-se como expetorante, no tratamento de problemas respiratórios, como asma ou bronquite. Em infusão pode combater a tosse, dores de cabeça de origem nervosa e irritabilidade, tendo também propriedades antiespamódicas e digestivas.(2)


A sua aplicação como erva aromática é variada, a começar pelo gaspacho Alentejano a acabar nas pizzas em Itália… mas demos a voz ao Pantagruel (3):
[…] Empregado em demasia, é áspero, quase contundente, mas, na devida conta, empresta um arejado e um simpático sabor a campo a tudo em que colabora. Em peixes cozidos – no último instante, à saída do lume – põe o toque mágico exacto. Em marinadas e vinha-d’alhos, sobe muitos pontos por conta própria. No molho de tomate, se não houver manjericão, é imprescindível. Em certas mocelas, consegue prodígios. Uma leve pitada em mariscos ou em cabrito para assar revela supressas escondidas. […]
(1)    Guia Prático das Plantas aromáticas – Lesley Bremness – Circulo dos Leitores -1993  
(2)  Natureza Gastronomia e Lazer – Plantas silvestres alimentares e ervas aromáticas condimentares - Maria Manuel Varagão (coord.) – Edições colibri.
(3) O Livro do Pantagruel – Bertha Rosa  Limpo, Jorge Brum Canto, Maria Manuela Limpo Caetano, 56ª edição,