quarta-feira, 29 de abril de 2015

Max Planck



A Ciência não pode resolver o mistério final da Natureza.
E isto porque, em última análise, somos parte do mistério que tentamos resolver.

Max Planck, Físico
(18581947)

Considerado o pai da Física Quântica.
Não resisto a  uma "anedota" tipo non sense que costumo contar aos meus alunos
Qual é o barulho que um electrão faz quando bate numa parede?
Resposta: PLANCK

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Nuno Júdice e a Nogueira



 Juglans regia

Vegetação de infância

«Onde está a antiga nogueira cujas raízes
entravam pela água? Sei que os seus ramos se partiam
de cada vez que o ribeiro enchia; que as folhas
se espalhavam pelo tanque, antes de se afundarem,
formando um lodo em que os pés escorregavam;
que o barulho das rãs ecoava na sua copa, enquanto
a noite se agitava com o vento frio que trazia
o outono. Mas de nada me serve este conhecimento,
agora que nada me diz se a nogueira existe, ainda,
nessa margem onde me sentei, ouvindo as rãs
e o vento, sem que me apercebesse do trabalho do tempo
no fundo das raízes. Ou antes: o que ele me dá é
uma inquietação áspera como o sabor das nozes
que se colhiam dessa árvore. Atiro-as para o armazém
da memória onde as sombras se acumulam; e
entro nessa árvore, como se fosse uma casa,
ou como se as suas ramagens se abrissem
num bater de asas impotentes para o voo.»



Nuno Júdice, 
Teoria Geral do Sentimento .

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Companheiras, as árvores

 

 "Chestnut tree" por Taken byfir0002 | via Wikimedia Commons

 Castanheiro

por JOEL NETO Hoje no DN

Tivemos a sorte de crescer entre árvores. Subimos tangerineiras, nespereiras e ameixieiras. Fizemos cachimbos de brincar com bolotas de carvalho, arcos e flechas com ramos de amoreira, balizas de futebol com troncos de faia (com cujas folhas também fazíamos assobios).
Quando chegávamos ao castanheiro grande, detínhamo-nos. Entre a mata do meu avô e a do meu pai, ligadas por detrás dos quintais de outros vizinhos, havia uns vinte castanheiros. Aliás, erguiam-se por aí acima mais árvores imponentes. Duas nogueiras lindas. Eucaliptos. Criptomérias.
Nenhuma como o castanheiro grande.
O castanheiro grande era o nosso lugar de reverência. Havia uma mata para cá do castanheiro grande e outra para lá dele. Almoçávamos sob a sua sombra, nos dias em que apanhávamos o marrolho. Fazíamos tendas debaixo dele, durante o Verão, e nenhum outro foi tão generoso quando, adolescente já, o meu avô me deixou ser eu a tratar das castanhas, porque precisava de dinheiro para comprar uma máquina de escrever.
Um dia escrevo desse Outono em que fui vendedor de castanhas.
O castanheiro grande tombou no Outono de 2012, durante uma ventania menor. Eu tinha voltado há poucos meses. Olhei as suas raízes arrancadas da terra e, de repente, achei que havia uma hipótese de não ser feliz.
Fez-me lembrar aqueles versos do Ramos Rosa: "O que tentam dizer as árvores/ no seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,/ o sentido que têm no lugar onde estão,/ a reverência, a ressonância, a transparência// (...) Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus ramos." Usei-os uma vez, numa epígrafe, mas só agora os percebo por completo.
Há algo nas grandes árvores que se assemelha aos homens. Mas não são elas que são metáfora para nós: somos nós quem é metáfora para elas.


Já agora o poema completo de Ramos Rosa

Árvores

O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência,
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.