quinta-feira, 5 de maio de 2011

Na Gulbenkian, amanhã

Ambiente. Porquê Ler os Clássicos,
Viriato Soromenho-Marques, responsável pelo programa Gulbenkian Ambiente, falará sobre a primeira obra:
Walden ou A Vida nos Bosques
,
no dia 6 de Maio, às 18h, no Auditório 3 da Fundação. Os comentários estarão a cargo de Isabel Capeloa Gil.

Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente,
defrontar-me apenas com os factos essenciais da vida,
e ver se podia aprender o que ela tinha a ensinar-me, em vez
de descobrir à hora da morte que não tinha vivido.


Walden; ou, A Vida nos Bosques (1854) é Henry David Thoreau

segunda-feira, 2 de maio de 2011

As cerejas bem vindas


No sábado comemos as primeiras cerejas do ano. Eram da freguesia de Alcongosta, cujo nome dá quase tanto gosto de pronunciar como comer as cerejas que lá magicam.
Eram verdes, verdinhas e eram caras: dez euros o quilo. Comprámos, pacatamente, meio quilo, mas a receita rendeu-nos 50 cerejas gordas e luzidias a cinco cêntimos cada bochecha, já que cada cereja tem duas,que até às vezes são marcadas, como as bochechas do rabos.
Nunca tínhamos comido cerejas tão cedo. A senhora a quem comprámos avisou-nos que era um “bocadinho amargas” e que mais valia a pena esperarmos uns dias, até chegarem as cerejas de Resende, essoutra distinta freguesia do Fundão, que viriam mais doces e mais baratas.
“Pode provar”, consentiu como quem diz “quem te avisa teu amigo é”. Desafiei-a e puxei de uma delas. Que ácida e carnuda luxúria experimentei! Voltei ao século XIX – transportei-me. Os caroços eram verdes e as cerejas cantou a Maria João, sabiam a flor – à sakura japonesa – e a chuva. O sol e o açúcar já estavam apaixonados e já eram noivos, mas ainda não se tinham casado com cereja nenhuma. Que boas que eram estas cerejas ainda solteiras mas já prometidas, boas de pleno direito, perfeitas para quem gosta mais de presenças do que de esperanças.

Não são as cerejas doces, baratas, abundantes e deliciosas que aí vêm. São estas ácidas, caras, raras e deliciosas que aí andam agora que estão prestes a desaparecer. Ambas são, desigualmente, bem-vindas.
Miguel Esteves Cardoso - in Público (coluna diária - Ainda ontem) 2/5/2011

Miguel Esteves Cardoso, na minha opinião, é um colunista que às vezes escreve bem sobre coisas interessantes, às vezes estes períodos são curtos.
Desta vez gostei do texto mas integrou-me as cerejas verdes, amarelas sim, verdes nunca vi, serão mesmo apanhadas verdes e não passam desta cor ou é alguma tentativa de vender mais cedo a 10 euros o kilo?


domingo, 1 de maio de 2011

Eclesiástico

O Senhor produziu na terra os medicamentos;
o homem sensato não os desprezará.

Antigo Testamento, Ecli 38:4, (sec. II AC)
Bíblia; 19ªedição dos Capuchinhos

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Azereiro

Esta árvore (ou arbusto?), Prunus lusitanica L. subsp. lusitanica., encontra-se na lista vermelha da IUCN , sendo considerada em perigo de extinção. Poucos se vêm em Portugal, embora seja uma árvore nativa, aparecendo muito menos do que merece em jardins e em parques. Também espalha o nome de Portugal por este mundo fora, em francês, Laurier du Portugal, em inglês, Portugal laurel.

A associação ao nome de louro, penso que tem a ver com a folhagem persistente e o tipo de brilho semelhante ao do loureiro. Pouco conhecida em Portugal, pouco se vê nos viveiristas mas usada como ornamental pelo mundo fora.

Antigamente era usada como cavalo para o enxerto de garfo em espécies do género prunus. O fruto é considerado comestível, mas só quando está completamente maduro. É muito apreciada pelos pássaros. Embora as suas congéneres do género prunus sejam de folha caduca esta espécie é de folha persistente. Tem um parente próximo que também se encontra na Red list da IUCN, o azereiro dos Açores, Prunus lusitanica L. subsp. azorica (Mouillef.)

Este é um aproveitamento dum post de um blog meu antigo, fui consultar a edição da Red list de 2010 e já não encontro referência ao azereiro.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Sepentárea







Porquê o nome serpentárea?
No que encontrei, a razão mais relevante será a de que as suas folhas e raízes protegiam contra as serpentes. Essa referência é antiga, o autor é Johann Wonnecke von Kaubque que latinizou o seu nome para Johannes de Cuba, médico em Frankfurt e publicou o que é considerado um dos primeiros livros de história natural, Gart der Gesundheit (1485) posteriormente traduzido para latim com o título de Hortus sanitati (1491), que se poderá traduzir como um Jardim Saudável ou o Jardim da Saúde,um livro em que aceita muitas lendas, sem crítica de análise, tipo sereias e Minotauro (existe quem refira a primeira publicação em 1473).
Natural da zona entre a costa mediterrânea grega e as Balcãs.
Não parece uma planta mediterrânea, mais se assemelha a uma flor tropical.
Trata-se do Dracunculus vulgaris, Schott. (1832), da família dos jarros. É considerada semi-espontânea em Portugal, com vários nomes, desde planta cobra, serpentina, líriodragão (tentando traduzir o nome inglês).
O apêndice central da flor, no caso da fotografia tem 70 cm de comprimento, dizem que pode chegar aos 135cm em jardim.
Com esta beleza toda tem um senão, quando a flor abre cheira a carne podre, durante um dia ou dois, assim atrai as moscas que são os seus polinizadores.

Todas as partes aéreas são venenosas.

Encontrei um site que relata o uso dos bolbos, na sua zona de origem, na alimentação, mas que seria necessário fervê-los durante um tempo considerável para libertar as toxinas ( amodos como o inhame nos Açores).