Amador ...que ou o que ama ...que ou quem se dedica a uma arte ou um ofício por gosto ou curiosidade, não profissional ...que ou aquele que ainda não domina a actividade a que se dedicou, revelando-se inábil, incompetente
domingo, 4 de janeiro de 2009
Araçá vermelho
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Vinicius de Moraes
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
"Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Uva-japonesa
Já aqui falei da uva-japonesa.
Chegou a vez de apresentar o “fruto”, fruto entre aspas porque não sei se é fruto ou pé do fruto, o nome que se deve aplicar ao que se come. A árvore é de folha caduca e dei conta deles, depois da queda das folhas.
A árvore dá “uma espécie” de cachos de uvas com bagas na ponta. As bagas não se comem, mas contêm as sementes. O que se come é o correspondente ao engaço do cacho de uvas, ou seja o pedúnculo que suporta os bagos. Neste caso o pedúnculo é composto por uma matéria com a consistência da maçã.
O sabor, porque foi a primeira vez que o provei (só me tinham enviado as sementes), é doce ou mesmo muito doce, o sabor que se associa de imediato é de passa de uvas ou então aquelas uvas moscatel muito doces em ano de seca.
No Brasil chamam-lhe pauzinho doce. Um nome apropriado
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Pata de vaca
A pata de vaca (Bahuinia forficata ssp. pruinosa(Vog.) Fortunato et Wunderlin, antes Bauhinia candicans Benth) é uma árvore de clima subtropical, adaptando-se bem ao clima de Portugal (pelo menos na região Centro).
Árvore comum nas matas de Santa Catarina e do rio Grande do Sul, Paraguai, litoral do Uruguai e Noroeste da Argentina. Os troncos novos e pequenos têm picos pequenos e fortes.
È utilizada na medicina popular do Brasil, onde foram feitos muitos estudos farmacológicos. A sua utilização é como anti diabético, na terapia de apoio da diabetes mellitus tipo II. Utiliza-se o chá das folhas numa proporção de 1%.
Como ornamental também é bastante utilizada. Durante quase todo o verão tem flores brancas. As flores têm a duração de um dia, abrem com o nascer do sol, são brancas, vão amarelecendo durante o dia até ao pôr-do-sol, acabando por cair durante a noite.
As folhas costumam cair no Inverno, mas este ano e mesmo com o frio ainda está com o aspecto que se vê na fotografia.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Jorge Luis Borges
Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.
in "A Cifra"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral