quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Oregãos


Existe hoje uma teoria, gastronomia darwinista, bastante plausível, de que o hábito de utilizar e apreciar condimentos do tipo especiarias ou ervas aromáticas terá sido transmitido genética e culturalmente, através de gerações e está relacionado com a actividade antimicrobiana da maior parte dessas substâncias. Em zonas do globo onde as condições climáticas são mais propícias ao desenvolvimento de microrganismos nos alimentos, esses condimentos terão tido um papel importante na preservação da espécie humana, evitando infecções causadoras de doença, principalmente nos tempos em que a tecnologia do frio ainda estava bem distante.
Tudo o que fazemos aos alimentos – secar, salgar, fumar, cozinhar ou adicionar certos temperos - é uma tentativa de impedir que eles sejam deteriorados pelos micróbios que connosco competem. .... Os homens sempre viveram numa luta de competição para os alimentos com os parasitas e os patogénicos e os livros de receitas são o registo escrito dessa luta.
Programa Ciência Viva - Margarida Guerreiro M. Conceição Loureiro Dias, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa
Os orégãos (Origanum vulgare L.) da fotografia têm um papel antimicrobiano nos seguintes bactérias:
Aeromonas hydrophyla, Bacillus cereus, Bacillus subtilis, Clostridium botulinum, Listeria monocytogenes, Escherichia coli, Salmonella pullorum, Staphylococcus aureus e Streptococcus faecalis (
Paul W. Sherman. Dasrwinian Gastronomy. Junho de 1999).
Só uma nota final, leio frequentemente que se tempera com "folha de orégãos", eu normalmente utilizo só a flor e na sua fase final , as folhas quando secas tornam-se um pouco ásperas, o que leva certas pessoas a não gostarem destetempero.


segunda-feira, 30 de julho de 2007

"Deixai-os crescer juntos"

Lolium temulentum Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé’s (1885) www.biolib.de

A citaçãoapresentada no título deste post é da Bíblia (Mateus 13,24-30) e refere-se ao trigo (Triticum spp.) e ao joio (Lolium temulentum L.), devem-se separar só após a colheita.

No contexto biblico, esta parábola tem um sentido preciso, que não é o que eu quero aqui reflectir.

Numa leitura paralela, não deixa de ser um bom slogan contra o uso dos herbicidas.

Groselheira branca

Custa-me classificar esta planta como Ribes rubrum L., de igual modo como a groselheira vermelha, já que os seus frutos são quase brancos, mas é mesmo a mesma espécie.

Esta groselha, segundo os entendidos, é menos ácida que a vermelha, embora continue a ser ácida.
A da figura, é o primeiro ano que dá e deu poucas, é um arbusto com dois anos. Espero que os melros me deixem provar os frutos na completa maturação.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Manuel Gonçalves



Variedade: Catherine

...

O pêssego é a melhor fruta
que em todo o Verão se apresenta,
o maior senão que tem
é a maldita barejenta.

Se não fosse a barejenta,
eu requentava os lugares
dos calvos e amarelos
dos dourados e mulares....

“Feiticeiro do Norte”

Poeta madeirense,(1858*-1927)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Ruibarbo


O Ruibarbo, Rheum palmatum L., é uma planta perene, secando no Inverno e voltando a rebentar na primavera seguinte.
O da fotografia tem dois anos, nasceu de semente o ano passado, e deu umas folhas aí com 20cm de diâmetro. Para as histórias que me contavam de folhas enormes, achei-as exageradas. Este ano deu azo à sua fama, se notarem na folha, para efeito de escala, está colocada uma moeda de 50 cêntimos
O facto de tentar uma nova planta, acontece por acaso muitas vezes. No caso do ruibarbo, foi a leitura num blog (de referência, seja dito, embora numa hibernação já muito longa) que me predispou a tentar plantar o ruibarbo, e uma famosa receita de doce de ruibarbo e morangos.A partir daqui houve também uma tentativa de conhecer melhor a planta.

Na Europa Central, é muito utilizada em doçaria, normalmente vê-se à venda só os talos, as folhas contêm compostos que podem serem irritantes para certas pessoas. É utilizada também em termos medicinais, embora neste caso seja utilizada a raiz descascada e seca.
Existe uma variedade que chamam ruibarbo inglês, em que a raiz tem sabor a morango, muito procurada, é a minha próxima tentativa.

O ruibarbo é originário das cadeias montanhosa a Ásia onde é plantada até cerca dos 4000m de altitude, daí a sua adaptação fácil ao clima da Europa Central.
Foi uma planta muito utilizada na Antiguidade no continente asiático, sendo descrita no herbário chinês Pen-King no ano de 2.700 a.C., onde era conhecida com o nome de Ta-Huang ("gran amarilla"). Dioscórides chamou-lhe rheon de onde saiu a actual denominacão. O primeiro europeu a tentar introduzi-la na Europa foi Marco Polo, no final do século XIII.

No século XVIII, houve uma série de incidentes devido ao tráfico desta planta provocado pela qualidade diferente das várias variedades plantadas, embora não tenha encontrado referências à distinção das variedades dessa altura.
Em 1731, na fronteira da Rússia com a Mongólia foi criada a “Comissão do Ruibarbo” cuja finalidade era tentar importar para os soviéticos o ruibarbo de melhor qualidade dos mercadores mongóis, que chegavam perto da fronteira. Para eles fixava-se um preço único que teriam que renegociar anualmente e implementavam-se controles de qualidade que permitiam devolver as peças duvidosas ou de má qualidade. Logo, o ruibarbo que superava esses controles era renegociado na Europa a preços muito elevados e sem possibilidade de regatear.