terça-feira, 5 de junho de 2007

Absinto (4)

A infidelidade, ainda que possa ser excitante e doce no seu início, costuma ter um fim amargo como o absinto
(Provérbios 5, 4)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Absinto (3)





Esta fotografia podia prever más notícias, mas nem por isso, como tudo, depende do ponto de vista. O absinto que inicialmente tem uma cor verde, como na primeira fotografia, com o crescimento tende para um tom verde azulado.
O facto de imagem não ser necessariamente uma má notícia, devido à presença de afídeos negros, é porque é a única planta do meu quintal que foi atacada pelo piolho preto. Já o ano passado aconteceu o mesmo, não cheguei a tratá-la para ver se o absinto resistia ao ataque, resistiu e este ano, de proporções maiores foi novamente atacado. A parte da má notícia é que o ano passado não deu flores e este ano também ainda não vi os botões a formarem-se. Este ano continuo à espera, a ver no que resulta esta preferência.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Absinto (2)

"...e, desiludido desta cruel vida, vim pedir ao absinto, no Boulevard, uma hora de esquecimento..."

Eça de Queirós, Os Maias

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Absinto (1)


Com vontade de recomeçar, mas pouco tempo.

Uma planta normalmente reconhecida por tóxica, devido a um componente na sua composição, a tuinona.

Absinto,também conhecido por losna ou sintro, é um dos nomes vulgares da Artemisia absinthium L..

segunda-feira, 5 de março de 2007

A Terra

Jean-Francois Millet (1814 - 75)
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

Miguel Torga