Adquiri um bonsai, que não é um verdadeiro bonsai, são aproveitadas as características das árvores que rebentam facilmente de um tronco já adulto e bem enquadrada num vaso, aparenta ser um bonsai.
Em relação ao meu “bonsai” achei que o vaso era pequeno. Teve uma fase que parecia que se ia perder, mudei para um vaso maior com uma terra nutritiva e claro gostou da liberdade do espaço para as suas raízes. Tanto gostou que já vai em 10 anos de existência e cerca de 1,5m de altura, porque tem sido bem podado. A fotografia de corpo inteiro ficou mal, em contra luz.
Estes 10 anos esteve sempre no exterior, houve Invernos em que caía a folha, mas quando começava a aquecer, rebentava com bastante vigor. Este Inverno, embora um pouco amareladas, não chegaram a cair.
Demorei algum tempo a classificá-la, e com supresa confirmei que se tratava da Pachira aquatica Aubl. Uma árvore brasileira das zonas húmidas do Amazonas, estranhei bastante que se tivesse adaptado cá. Hoje é comum aparecer à venda como ornamental, muitas vezes com os troncos entrelaçados.
No Brasil como nome vulgar tem vários: Castanha do Maranhão, Munguba, Paina de Cuba , Sapote Grande, Mungu Barana, Cacau Selvagem , Castanheiro da Guiana , Embiratanha, Imbiruçu,
Esta árvore foi pela primeira vez descrita na obra “História dos Animais e Árvores do Maranhão”de Frei Cristóvão de Lisboa, escrito entre 1624 e 1627 e pela primeira vez publicado em 1967 (!?). O nome dado, na altura,de origem nativa era Ibomguiva
A descrição (Fol. 125 e 128 do manuscrito; 252 da reimpressão feita em (2000) Figs.1 e 2) acompanhada de uma estampa reza assim:
“Ibomguiva é uma árvore tamanha como macieira e a fruta é da própria forma de um melão; e o casco é pau todo cheio de castanhas que salgado com sal e água é muito bom comer;
a flor é desta maneira que está pintada e a cor rosada, amarela e branca, e tem muito grande
quantidade ao longo dos rios e fontes”. No desenho há a anotação: Ibonguiaba não se come fazem purgar.
A contradição no facto de se comer ou não a castanha deve-se ao facto de crua, fazer purgar e daí os nativos só a comerem cozida ou assada.
E como o meu bonsai morto, não faz justiça ao esplendor desta árvore, seguem duas fotografias de árvores adultas :

Foto de http://www.arvores.brasil.nom.br/florin/mungub.htm

Foto de http://www.oguialegal.com/falarfrutas.htm

