segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

A "morte" de um "bonsai"

Há vários tipos de bonsai, mas essencialmente, o verdadeiro bonsai nasce de uma semente e a árvore é domesticada desde o seu nascimento.
Adquiri um bonsai, que não é um verdadeiro bonsai, são aproveitadas as características das árvores que rebentam facilmente de um tronco já adulto e bem enquadrada num vaso, aparenta ser um bonsai.

Em relação ao meu “bonsai” achei que o vaso era pequeno. Teve uma fase que parecia que se ia perder, mudei para um vaso maior com uma terra nutritiva e claro gostou da liberdade do espaço para as suas raízes. Tanto gostou que já vai em 10 anos de existência e cerca de 1,5m de altura, porque tem sido bem podado. A fotografia de corpo inteiro ficou mal, em contra luz.
Estes 10 anos esteve sempre no exterior, houve Invernos em que caía a folha, mas quando começava a aquecer, rebentava com bastante vigor. Este Inverno, embora um pouco amareladas, não chegaram a cair.

Demorei algum tempo a classificá-la, e com supresa confirmei que se tratava da Pachira aquatica Aubl. Uma árvore brasileira das zonas húmidas do Amazonas, estranhei bastante que se tivesse adaptado cá. Hoje é comum aparecer à venda como ornamental, muitas vezes com os troncos entrelaçados.
No Brasil como nome vulgar tem vários: Castanha do Maranhão, Munguba, Paina de Cuba , Sapote Grande, Mungu Barana, Cacau Selvagem , Castanheiro da Guiana , Embiratanha, Imbiruçu,

Esta árvore foi pela primeira vez descrita na obra “História dos Animais e Árvores do Maranhão”de Frei Cristóvão de Lisboa, escrito entre 1624 e 1627 e pela primeira vez publicado em 1967 (!?). O nome dado, na altura,de origem nativa era Ibomguiva
A descrição (Fol. 125 e 128 do manuscrito; 252 da reimpressão feita em (2000) Figs.1 e 2) acompanhada de uma estampa reza assim:


“Ibomguiva é uma árvore tamanha como macieira e a fruta é da própria forma de um melão; e o casco é pau todo cheio de castanhas que salgado com sal e água é muito bom comer;
a flor é desta maneira que está pintada e a cor rosada, amarela e branca, e tem muito grande
quantidade ao longo dos rios e fontes”. No desenho há a anotação: Ibonguiaba não se come fazem purgar.

A contradição no facto de se comer ou não a castanha deve-se ao facto de crua, fazer purgar e daí os nativos só a comerem cozida ou assada.

E como o meu bonsai morto, não faz justiça ao esplendor desta árvore, seguem duas fotografias de árvores adultas :
Foto de
http://www.arvores.brasil.nom.br/florin/mungub.htm




Foto de http://www.oguialegal.com/falarfrutas.htm

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Que frutas se vendem aqui?

Vendedora de frutas, México
Olga Costa (1913-1993)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Os paraísos artificiais

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

O cântico das aves — não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida na minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.


(Jorge de Sena)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Linho da Nova Zelândia



Esta é uma das plantas que se encontra em quase todos os viveiros, a da fotografia é a Phormium tenax, J.R. & G. Forst, variegata, existindo também com folha toda verde e a variedade purpureum.
Tem vários nomes vulgares, além do citado no título. Nos Açores chamam-lhe espadana ou tabua, os brasileiros fórmio. É originária da Nova Zelândia, e o seu nome local em dialecto Maori é harakeke.

Em relação à família que pertence, coloquei Agavaceae no marcador, por ser a classificação da fonte mais segura. Pode estar desactualizada, apareceu-me, na pesquisa que fiz no Google, como pertencendo à família Phormiaceae, o que seria uma nova família criada. Nessa pesquisa também aparece como sendo da família Hemerocallidaceae e das Liliaceae … como sempre se alguém me esclarecer agradeço.

A minha preferência por esta planta, já de alguns anos a esta parte, é pela sua utilidade, e as diversa utilizações que tem. É daquelas plantas que que tem uma história que a maior parte das pessoas que a possui no jardim, desconhece.

Primeiro, é a minha ráfia, ou corda do quintal, as tiras que se destacam das folhas são bastante resistentes, (Na Quinta do Sargaçal, preferem a Cordlyne spp) mesmo mais resistente que a ráfia, além de se utilizar tanto “fresca” como seca.

Num site dos
Açores, encontram-se transcrições do aproveitamento desta planta, que teria sido introduzida em Portugal, em 1789, pelo Abade José Correia da Serra., em termos industriais, que remontam ao sec. XIX
" Na magnífica propriedade de Lameiro do Sr. Conde de Jácome Correia, tivemos a oportunidade de ver a cultura da espadana, com aplicação industrial. A área é de 20 hectares. Tem instalada uma oficina, dotada de mecanismo apropriados para o desfibramento das folhas, o qual produz uma matéria téxtil muito resistente e que é exportada para Inglaterra e para o Porto, onde é aplicada no fabrico de cordas e de tecidos grosseiros"(Silva, 1893).
Para finalizar, mais utilizações desta planta

- As sementes tostadas servem como sucedânio do café.
- O néctar das flores (flores vermelho alaranjada) é comestível e saboroso.
- Retira-se uma boa goma (edible gum) da base das folhas.
- Aguenta bem os ventos, podendo servir como corta vento.
- Da espiga que chega a ter 2 metros de altura ou mais, o caule tem uma consistência próxima da cortiça, e é um óptimo material para fazer bóias para a pesca (utilização ainda restrita, penso eu…)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Sem comentários


No sul da China numa povoação chamada Fumin, pintaram uma montanha de verde.

A agência oficial chinesa estima que o custo da pintura ficou em 470,000 yuan (46.600€), dinheiro mais que suficiente para a sua reflorestação.

Fico sem palavras