sábado, 24 de fevereiro de 2007

Que frutas se vendem aqui?

Vendedora de frutas, México
Olga Costa (1913-1993)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Os paraísos artificiais

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

O cântico das aves — não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida na minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.


(Jorge de Sena)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Linho da Nova Zelândia



Esta é uma das plantas que se encontra em quase todos os viveiros, a da fotografia é a Phormium tenax, J.R. & G. Forst, variegata, existindo também com folha toda verde e a variedade purpureum.
Tem vários nomes vulgares, além do citado no título. Nos Açores chamam-lhe espadana ou tabua, os brasileiros fórmio. É originária da Nova Zelândia, e o seu nome local em dialecto Maori é harakeke.

Em relação à família que pertence, coloquei Agavaceae no marcador, por ser a classificação da fonte mais segura. Pode estar desactualizada, apareceu-me, na pesquisa que fiz no Google, como pertencendo à família Phormiaceae, o que seria uma nova família criada. Nessa pesquisa também aparece como sendo da família Hemerocallidaceae e das Liliaceae … como sempre se alguém me esclarecer agradeço.

A minha preferência por esta planta, já de alguns anos a esta parte, é pela sua utilidade, e as diversa utilizações que tem. É daquelas plantas que que tem uma história que a maior parte das pessoas que a possui no jardim, desconhece.

Primeiro, é a minha ráfia, ou corda do quintal, as tiras que se destacam das folhas são bastante resistentes, (Na Quinta do Sargaçal, preferem a Cordlyne spp) mesmo mais resistente que a ráfia, além de se utilizar tanto “fresca” como seca.

Num site dos
Açores, encontram-se transcrições do aproveitamento desta planta, que teria sido introduzida em Portugal, em 1789, pelo Abade José Correia da Serra., em termos industriais, que remontam ao sec. XIX
" Na magnífica propriedade de Lameiro do Sr. Conde de Jácome Correia, tivemos a oportunidade de ver a cultura da espadana, com aplicação industrial. A área é de 20 hectares. Tem instalada uma oficina, dotada de mecanismo apropriados para o desfibramento das folhas, o qual produz uma matéria téxtil muito resistente e que é exportada para Inglaterra e para o Porto, onde é aplicada no fabrico de cordas e de tecidos grosseiros"(Silva, 1893).
Para finalizar, mais utilizações desta planta

- As sementes tostadas servem como sucedânio do café.
- O néctar das flores (flores vermelho alaranjada) é comestível e saboroso.
- Retira-se uma boa goma (edible gum) da base das folhas.
- Aguenta bem os ventos, podendo servir como corta vento.
- Da espiga que chega a ter 2 metros de altura ou mais, o caule tem uma consistência próxima da cortiça, e é um óptimo material para fazer bóias para a pesca (utilização ainda restrita, penso eu…)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Sem comentários


No sul da China numa povoação chamada Fumin, pintaram uma montanha de verde.

A agência oficial chinesa estima que o custo da pintura ficou em 470,000 yuan (46.600€), dinheiro mais que suficiente para a sua reflorestação.

Fico sem palavras

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

A flor que és


A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.

Fernando Pessoa- Odes de Ricardo Reis
Foto: Margarida - Calendula officinalis L.(Verão, 2006)