sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Em Novembro



Sei que a memória é muito traiçoeira, mas penso que não seja normal em Novembro, morangos e mangerico em flor.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Manoel de Barros

Aprendo com abelhas mais do que com aeroplanos
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
È um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata - cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão -
antes que das coisas celestiais.
Pessoas parecidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

in "Retrato do Artista quando Coisa" (1998)

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Granadilha



Esta é uma das plantas com que mantenho uma guerra, este ano produziu flores pela primeira vez, mas estão a cair sem fixar o fruto.
A granadilha, é uma espécie de maracujá, (Passiflora linguaris, Juss) que aparece com pouca frequência à venda nos hipermercados no local das frutas tropicais, embora seja um fruto subtropical, a fruto da foto em baixo foi adquirido aí, e a planta nasceu por sementes.

Esta planta suporta bem o Inverno, passando por piores momentos no Verão, e,m que o crescimento praticamente para, Neste Outouno quente, tem sido uma maravilha vê-la crescer.

Em termos de qualidade de fruto, este para mim é o mais saboroso dos maracujás, podendo-se comer ao natural, não apresentando o travo muito forte do maracujá roxo (P. edulis), que é muito agradável para sumos.



quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Physalis

A classificação desta planta da família das Solanaceae, embora não me apresente dúvidas quando ao género, Physalis, já em relação à espécie, não tenho certeza. Mas para já fica Physalis peruviana L..
É originário da região andina da América do Sul, acima dos 3000m de altitude, da Venezuela ao Chile.
É da família dos tomates, embora não se comporte como planta anual, aguenta bem 3 pou 4 anos neste clima, e provavelmente mais mas o tronco começa a ficar muito lenhoso e a a aparecerem parasitas. Nascem sempre plantas novas todos os anos, devido à queda de frutos não aproveitados. No Inverno, os ramos novos vão-se queimando com o frio.
O fruto maduro tem um perfume agradável e é rico em vitamina A, a pele é amarga, deve-se comer com a cor próxima do da fotografia. O exemplar da fotografia já estava quase enterrado, tem-se que esperar um tempo até que a cápsula fique com este aspecto rendilhado

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

A ilha dos Amores

 



















Paisagem com colinas. Manuscrito de una Antología persa de sete poetas, fechado em Behbehán (Fars) em 1398.Museu de Istambul, Paisagem de Xvarnah, Antologia persa, 1398

Ao longo da água o níveo cisne canta,
Responde-lhe do ramo filomela
CantoIX, 63

Três formosos outeiros se mostravam
Erguidos com soberba graciosa,
Que de gramíneo esmalte se adornavam
CantoIX, 54

Claras fontes e límpidas manavam
Do cume, que a verdura tem viçosa
CantoIX, 54

Num vale ameno que os outeiros fende
Vinham as claras águas ajuntar-se
Onde uma mesa fazem que se estende
CantoIX, 55

Arvoredo gentil sobre ele pende
CantoIX, 55

Mil árvores estão ao céu subindo
Com pomos odoríferos e belos
CantoIX, 56

.......
Lusiadas, Luis de Camões 1572

Descobri um livro de António Telmo "Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões". Faz-se aqui uma entrada nos Lusiadas que não imaginava... Mas para este post, é realmente estranha a coincidência, entre as estrofes de Camões e a pintura persa, com quase 200 anos de diferença