sexta-feira, 28 de abril de 2006

Albano Martins

Pequenas coisas

Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.

terça-feira, 18 de abril de 2006

Aromáticas e medicinais

Um a escrita solta, um desabafo, depois de andar a ver blogs a falarem de ervas aromáticas

Interesso-me também muito por plantas aromáticas, ditas medicinais. Pena que o seu estudo não se aprofunde mais.

E quando digo aprofunde, é mesmo no sentido lato. Para mim falta uma variável importante nas ervas medicinais.

O princípio é simples, a verdade duma planta, não é a flor, nem a folha, nem a raiz, a verdade duma planta é a terra, onde ela cresce, em função dela as suas características podem diferir. Uma laranjeira só dá laranjas doces se, além da sua qualidade, tiver um solo que proporcione o bom crescimento dos seus frutos.

Nas plantas medicinais falta saber a concentração, que um determinado solo, gera em princípio activo na planta.

O teor ou percentagem de químicos, que o funcho dos Açores, do Alentejo ou do Minho é diferente e o seu efeito no corpo humano também pode variar.

Um exemplo típico dessa diferença é o tomilho, chamada planta polimorfa (várias formas), o óleo essencial é o timol, mas em função da característica do solo em que ele é plantado, até o seu cheiro é diferente. No caso de Portugal existe uma variedade de thymus, na zona da Beira Baixa que se chama serpão ou sarpão, tem um cheiro característico, diferente do tomilho, mas tentem trazer um pé de lá como eu, plantem na terra e esperem um ano, O aroma transforma-se completamente e passa a cheirar a tomilho, ou entre este e o tomilho-limão, mas nada que se pareça com o serpão.

Agora se trouxerem um saco de terra da Beira Baixa, aí para os lados de Castelo Branco, plantarem-no num vaso e forem acrescentando terra da mesma origem, o aroma mantêm-se.

Embora acredite na essência do princípio das plantas medicinais, mas não com um chá por dia (embora aqui também haja casos e casos), porque a maior parte das vezes a concentração é mínima e é preciso alguma continuidade para se ver os efeitos, existe falta de estudo que dê informação sobre a concentração dos químicos que originam o(s) princípio(s) activos de cada planta.

Já agora quando alguma médica vos disser que qualquer remédio à base de uma planta é um plancebo (substância sem efeito), como aconteceu comigo, perguntem se quer tomar um chá de cicuta.

terça-feira, 21 de março de 2006

Como se come o fruto da Costela de Adão




aqui tinha falado na Monstera deliciosa Liebm., da família das Araceae, conhecida em Portugal por costela de Adão.Na altura perguntaram-me como se comia o fruto, segue uma pequena explicação


Aqui o fruto inteiro, este ano demorou três semanas a amadurecer, depois de colhido, tem-se que esperar que a cobertura verde se solte naturalmente como se vê na figura a seguir


Com a mão retira-se a capa verde composta por pequenos hexágonos, não se deve forçar, se não saem facilmente é porque a polpa debaixo ainda não está madura.


E finalmente com um garfo come-se a polpa, existem umas pequenas lascas pretas, que se o fruto estiver maduro não afectam nada. Se o fruto estiver verde, estão duras e dão uma sensação de picante. A razão do garfo é que, com ele consegue-se retirar a polpa e deixar as lascas residuais no "caroço". Se quiserem exprimentar à dentada também dá.


Por fim deixa-se o fruto com a "casca" que não saiu, e espera-se que ela se solte, mais um ou dois dias



Bom apetite

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

A. Lobo Antunes


Poema do livrinho de poemas de ANTÓNIO LOBO ANTUNES
Um homem com gripe.
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
Posted by afm7 at 09:49 PM | Comentários: (0)

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Provébio Árabe


“A árvore quando está sendo cortada observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira.”