quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Tolerância

Houve alguém que também não se esqueceu deste dia.

Hoje é o dia Mundial da Tolerância, palavra pouco usada e praticada, até nas relações do dia a dia, o laboratório ideal para se desenvolver a sua prática.

O maior inimigo dela é o outro.

Afinal o outro é diferente de nós, e nós por mais que queiramos não somos tudo nem o centro do mundo.

Compreender, perceber, apreender o outro e crescer com ele e não só aceitar

A comemoração da tolerância nos dias de hoje mereceria um lugar de destaque que não vai ter.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Sementeira

    Cresce a semente
    lentamente
    debaixo da terra escura.
 
    Cresce a semente
    enquanto a vida se curva no chicomo
    e o grande sol de África
    vem amadurecer tudo
    com o seu calor enorme de revelação.
 
    Cresce a semente
    que a povoação plantou curvada
    e a estrada passa ao lado
    macadamizada quente e comprida
    e a semente germina
    lentamente no matope
    imperceptível
    como um caju em maturação.
 
    E a vida curva as suas milhentas mãos
    geme e chora na sina
    de plantar nosso suor branco
    enquanto a estrada passa ao lado
    aberta e poeirenta até Gaza e mais além
    camionizada e comprida.
 
    Depois
    de tanga e capulana a vida espera
    espiando no céu os agoiros que vão
    rebentar sobre as campinas de África
    a povoação toda junta no eucalipto grande
    nos corações a mamba da ansiedade.
 
    Oh! Dia de colheita vai começar
    na terra ardente do algodão!
 
    1955 1a Versão José Caveirinha

Recomeçar

Recomeça ...
Se puderes,
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
do futuro,
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances,
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

 
Miguel Torga

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Numa época em que o homem adorava árvores

Na tentativa de salvar post antigos do Amador da Natureza e também por falta de tempo de criar post novos, vou reeditando alguns.
Este blog vai-se desenvolvendo com alguns documentos que vou tirando dos meus arquivos, sem eu propriamente intervir, falta de tempo, acima de tudo. De qualquer maneira vou partilhando ideias …
Este é o estrato duma lenda que sustenta um dos mitos do cambolé afro-brasileiro. Embora não professe o sentido religioso do texto crio sempre uma empatia especial com qualquer referência que me faça lembrar que houve uma época em que o homem adorava árvores
“No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Iroco.
Iroco foi a primeira de todas as árvores,
mais antiga que o mogno, o pé de obi e o algodoeiro.
Na mais velha das árvores de Iroco, morava seu espírito.
E o espírito de Iroco era capaz de muitas mágicas e magias.
Iroco assombrava todo mundo, assim se divertia.
À noite saía com uma tocha na mão, assustando os caçadores.
Quando não tinha o que fazer, brincava com as pedras
que guardava nos ocos de seu tronco.
Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal.
Todos temiam Iroco e seus poderes
e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.
(...)”. PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 164.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Costela de Adão

Foto

Esta planta, Monstera deliciosa Liebm., da família das Araceae, conhecida em Portugal por costela de Adão, tem um fruto bastante saboroso.

Normalmente isto é desconhecido pela maior parte das pessoas, embora no Mercado do Funchal ele seja vendido.

Em vaso a planta normalmente não dá fruto, mas quando colocada em terra, uma planta de dois anos já produz. Como planta é uma trepadeira, e gosta de sombra. É vista muito como ornamental em Portugal.

As folhas e os caules desta planta são tóxicos, têm ácido oxalico. O fruto deve ser comido quando está maduro, isso nota-se porque tem uma casca composta por segmentos hexagonais verdes, quando o fruto está maduro, soltam-se revelando uma polpa esbranquiçada por baixo também distribuída em hexágonos.

O busílis da questão é que nos vértices destes hexágonos existem uns umas pequenas lascas pretas, que juntamente com a polpa podem ser desagradáveis quando se comem.

A minha técnica é com um garfo levantar devagar a polpa banca, as pequenas lascas ficam agarradas à parte central do fruto.

Estes frutos estão quase a amadurecer nesta época do ano.

O sabor do fruto lembra uma mistura de banana e ananás.