Para mim, as águas passadas também podem moer moinhos, basta atender ao ciclo da água.
Amador ...que ou o que ama ...que ou quem se dedica a uma arte ou um ofício por gosto ou curiosidade, não profissional ...que ou aquele que ainda não domina a actividade a que se dedicou, revelando-se inábil, incompetente
sexta-feira, 8 de julho de 2005
Sabedoria popular ou não
Para mim, as águas passadas também podem moer moinhos, basta atender ao ciclo da água.
quinta-feira, 16 de junho de 2005
Albano Martins
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
quarta-feira, 15 de junho de 2005
A concha
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
Vitorino Nemésio
terça-feira, 14 de junho de 2005
Eugénio de Andrade
Quase Nada
O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.
sexta-feira, 27 de maio de 2005
Aquilino Ribeiro
A bolota taluda ficara ali muito quieta, muito bem refastelada em
virtude do próprio peso, enterrada que nem pelouro de batalha depois de
passarem carros e carretas. Que fazer senão deitar-se a dormir?! Dormiu
uma hora ou uma vida inteira, quem sabe?! Um laparoto veio lá de cascos
de rolha, rapou a terra, fez um toural, aliviou-se, e ela ficou por
baixo, sufocada sem poder respirar, em plena escuridão. Estava no fim do
fim? Um belisco, e do seu flanco saiu como uma flecha. Era de luz ou de
vida? Era uma fonte ou antes um cântico de ave, de água corrente, de
vagem a estalar com o sol (... )? Era tudo isto, encarnado no fogo
incomburente que lhe lavrava no flanco, verbo que acabou por irradiar do
próprio mistério do seu ser.
Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta.
A Casa Grande de Romarigães (excerto)
Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta.
A Casa Grande de Romarigães (excerto)
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