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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Orégão




Orégão e a alegria da montanha.

A palavra orégão com que designamos a erva aromática, que cresce espontaneamente e é muito utilizada como tempero na culinária, esconde uma origem muito simpática.

O termo orégão vem do grego e é formado por oros que remete para montanha e daí a orografia que é o estudo descritivo das montanhas e em orégãos há ainda a palavra grega ganos, que remete para cintilar, mas também para júbilo, alegria.

Orégão e assim a alegria da montanha.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A Arca de Noé das plantas tem uma versão digital




Já é considerado o maior herbário digital do mundo. O Projecto Arca de Noé está a ser desenvolvido pela Universidade Estatal de Moscovo Lomonosov, na Rússia, e já conta, até ao momento, com mais de 501 mil exemplares de plantas secas.


Tudo começou na Primavera de 2015, quando seis membros do herbário da Universidade Estatal de Moscovo e vários voluntários digitalizaram milhares de exemplares de plantas da Europa de Leste, da Sibéria, da Crimeia, do Cáucaso, da Mongólia ou dos países de África e do Sul da Ásia. Este arquivo online para plantas tornou-se o maior da Rússia, o maior entre as colecções das universidades em todo o mundo e o sexto dentro das colecções dos centros de ciência, também a nível mundial.
Todas as imagens digitalizadas têm alta resolução e são gratuitas. O objectivo é que as plantas sejam estudadas ao pormenor, por especialistas ou por pessoas apenas interessadas na flora da Terra. “O principal objectivo é salvar, estudar e tirar benefício da diversidade biológica do nosso planeta”, disse Piotr Kamenski, coordenador científico do projecto, em comunicado da universidade. “Por outras palavras, temos vindo a trabalhar num recurso digital, que junta uma quantidade alargada de informação sobre as colecções de biologia.”
Mas o Projecto Arca de Noé não fica por aqui, este é apenas o começo. O seu coordenador científico informa que continuarão sempre a ser adicionados mais exemplares à base de dados online. “O herbário digital da Universidade Estatal de Moscovo Lomonosov deu agora os primeiros passos, demonstrando claramente todas as suas vantagens e dando uma perspectiva global para a análise da diversidade biológica”, afirma Piotr Kamenski.
O herbário da Universidade Estatal de Moscovo Lomonosov (criada em 1755) é uma colecção de importância mundial, tendo sido mencionado pela primeira vez em 1780. Actualmente, o seu arquivo tem cerca de um milhão de exemplares. Mas está sempre a ser actualizado. Só nos últimos cinco anos foram descobertas 60 novas espécies de plantas e já foram incluídas no arquivo digital, ou melhor, na Arca de Noé digital das plantas. “O Projecto Arca de Noé é absolutamente único na Rússia e em todo o mundo”, sublinha Piotr Kamenski. 

In Público 3/2/2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Floresta



E se na origem da palavra floresta não estivesse uma flor ou mesmo uma árvore, mas sim um conceito de exclusão.

E assim é, floresta vem do latim, do adjetivo forestis, que deriva de foris, ou seja, fora, e começou-se a chamar floresta à floresta por causa duma expressão latina, a silva forestis que se opunha à silva communalis sendo que silva corresponde a mata ou bosque forestis a fora ou exterior e communalis a comunitário.

A silva forestis que deu origem a floresta era assim o bosque exterior, ou seja, o que estava flora do uso comunitário e que apenas podia ser explorado pelo rei.

E esta mata não comunitária para uso exclusivo do rei, esta silva forestis, deu origem à palavra floresta.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Heidegger e um hipopótamo



Heidegger e um hipopótamo chegam às portas do Paraíso e São Pedro diz:
– Escutem, hoje só temos espaço para mais um. Por isso, aquele que me der a melhor resposta à pergunta “qual é o sentido da vida?” entra.
Heidegger responde:
– Pensar explicitamente no Ser em si requer o menosprezo pelo Ser, na medida em que está apenas fundamentado e interpretado em termos de seres e para seres como seu fundamento, como em toda a metafísica.
E antes que o hipopótamo pudesse grunhir, São Pedro volta-se para ele e diz:
- Hoje é o teu dia de sorte, hipopótamo!

Artur Pereira jornal i, 14/5/2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Companheiras, as árvores

 

 "Chestnut tree" por Taken byfir0002 | via Wikimedia Commons

 Castanheiro

por JOEL NETO Hoje no DN

Tivemos a sorte de crescer entre árvores. Subimos tangerineiras, nespereiras e ameixieiras. Fizemos cachimbos de brincar com bolotas de carvalho, arcos e flechas com ramos de amoreira, balizas de futebol com troncos de faia (com cujas folhas também fazíamos assobios).
Quando chegávamos ao castanheiro grande, detínhamo-nos. Entre a mata do meu avô e a do meu pai, ligadas por detrás dos quintais de outros vizinhos, havia uns vinte castanheiros. Aliás, erguiam-se por aí acima mais árvores imponentes. Duas nogueiras lindas. Eucaliptos. Criptomérias.
Nenhuma como o castanheiro grande.
O castanheiro grande era o nosso lugar de reverência. Havia uma mata para cá do castanheiro grande e outra para lá dele. Almoçávamos sob a sua sombra, nos dias em que apanhávamos o marrolho. Fazíamos tendas debaixo dele, durante o Verão, e nenhum outro foi tão generoso quando, adolescente já, o meu avô me deixou ser eu a tratar das castanhas, porque precisava de dinheiro para comprar uma máquina de escrever.
Um dia escrevo desse Outono em que fui vendedor de castanhas.
O castanheiro grande tombou no Outono de 2012, durante uma ventania menor. Eu tinha voltado há poucos meses. Olhei as suas raízes arrancadas da terra e, de repente, achei que havia uma hipótese de não ser feliz.
Fez-me lembrar aqueles versos do Ramos Rosa: "O que tentam dizer as árvores/ no seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,/ o sentido que têm no lugar onde estão,/ a reverência, a ressonância, a transparência// (...) Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus ramos." Usei-os uma vez, numa epígrafe, mas só agora os percebo por completo.
Há algo nas grandes árvores que se assemelha aos homens. Mas não são elas que são metáfora para nós: somos nós quem é metáfora para elas.


Já agora o poema completo de Ramos Rosa

Árvores

O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência,
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.