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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack

Sinopse da editora ANTÌGONA:


Todos os homens estão parcialmente sepultados no túmulo do hábito, e de alguns vemos apenas a coroa da cabeça acima do solo. Melhor estão os que se encontram fisicamente mortos, pois apodrecem de uma forma mais viva.

Primeiro livro de Henry David Thoreau e obra inseparável de Walden ou a Vida nos Bosques, Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack (1849) é o relato da viagem que Thoreau e o seu irmão, John, empreenderam em 1839 no barco que os dois construíram, Musketaquid (o nome índio do rio Concord). É também uma digressão no tempo (mais do que no espaço), um diálogo sinuoso entre um passado de abundância e um presente despojado, atrás das pessoas e paisagens que se foram, «arrastadas pela corrente», no alvorar da sociedade industrial e materialista. Este diário de bordo e grandioso ensaio sobre a amizade e o amor tempera a sublime solidão de Walden com salutares gotas da vida nos rios.
  • TÍTULO ORIGINAL A Week on the Concord and Merrimack Rivers
  • TRADUÇÃO Luís Leitão
  • INTRODUÇÃO H. Daniel Peck
  • ILUSTRAÇÃO DE CAPA E CONTRACAPA Carolina Celas
  • 1.ª EDIÇÃO 2018
  • Páginas 432
  • ISBN 978‑972‑608‑300-9

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Maças silvestres & Cores de OUtono

A beleza e a verdadeira riqueza são sempre assim, baratas e desprezadas. O paraíso poderia ser definido como o lugar que os homens evitam.

 A par dos seus textos políticos mais interventivos, Henry David Thoreau celebrizou-se no Nature writing, com escritos telúricos em que a Natureza e a sua sagacidade dão azo a reflexões e inevitáveis comparações com a existência humana. E, no ocaso da vida, o autor polia com esmero os dois breves ensaios aqui reunidos, publicados postumamente em 1862, na revista The Atlantic Monthly
Em Maçãs Silvestres, o leitor depara com um poético catálogo de espécies, que celebra as virtudes destes humildes frutos, capazes de brotar estoicamente nos recantos mais esquecidos dos bosques. Triunfo do natural e do autêntico sobre tudo o que é civilizado, neles se revê inevitavelmente Thoreau, eterno paladino de salutares despertares anímicos. Cores de Outono é uma ode a esta estação, um hino a matizes e cambiantes da flora outonal e, sobretudo, ao ritmo digno do mundo natural, avesso ao bulício da civilização. 
Fragmentos em que Thoreau retira da Natureza supremas lições de vida, Maçãs Silvestres & Cores de Outono ensinam-nos, como o carvalho-vermelho, a almejar por luz e céus limpos, para que o quotidiano não descore; desafiam-nos a ver com olhos de ver a tela de pintor que nos rodeia e, como as folhas caídas a seu tempo, a despojarmo-nos da vida com igual nobreza.
  •  Título original -Wild Apples / Autumnal Tints
  • Editora ANTÍGONA 
  • Tradução Luís Leitão
  • 1.ª edição portuguesa 2016
  • páginas 168
  • ISBN 978-972-608-281-1

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Caminhada 22

[...] A vertente Oeste de cada bosque e todos os terrenos elevados reluziam como os confins dos Elíseos, e o sol nas nossas costas parecia um gentil pastor que nos conduzia ao lar ao fim da tarde. Assim vagueamos para a Terra Santa, até ao dia em que o sol brilhe mais do que nunca e reluza também nos nossos corações e espíritos, iluminando a vida num grande e radiante despertar, tão quente, tranquilo e dourado como uma colina no Outono.
(pag. 82) FIM

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Caminhada 21

[...] É anacrónica a filosofia que não nos manda escutar o cantar do galo nos celeiros das redondezas.
(pag. 79)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Caminhada 20

[...] Na sua relação com a Natureza, os homens parecem-me, não obstante as suas artes, de condição inferior aos animais.
(pag.73)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Caminhada 19

[...] Com que homem preferimos lidar: com aquele que nada sabe sobre um assunto e, algo extremamente raro, sabe que nada sabe, ou com aquele que sabe alguma coisa sobre dado assunto, mas julga que sabe tudo?
(pag. 70)

terça-feira, 2 de abril de 2013

Caminhada 18

[...] Penso que, assim como nem todos os alqueires de terra se cultivam, também o homem não deve cultivar todas as suas partes, Parte será semeada, mas a maior parte deve ser prado e floresta, não só para uso imediato, mas para preparar o solo para um futuro distante, mas para a decadência anual da vegetação que nele se mantém.
(pag. 68)

domingo, 31 de março de 2013

Caminhada 17

[...] Dai-me uma cultura que importe muito esterco dos campos e que explore os solos - e não uma que tenha vicejado somente à custa de fertilizantes, de ferramentas e de modernos modos de cultivo!
(pag.67)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Caminhada 16

[...] A perdiz adora ervilhas, mas não são aquelas com que há-de ir parar ao prato.
(pag.61)

sábado, 23 de março de 2013

Caminhada 15

[...] Nem todas as verdades agradam ao senso comum. A Natureza reserva um lugar para a vide-branca e outro para a couve.
(pag.60)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Caminhada 14

[...] que é feito da literatura que exprime a Natureza? Seria necessário um poeta que tivesse aos seus serviços os ventos e os regatos, para que estes falassem por eles; um poeta que mantivesse as palavras presas ao seu sentido primitivo, como os agricultores que, na Primavera cravam novamente as estacas levantadas pela geada; um poeta que, ao utilizar palavras, lhes revelasse a origem, que as transplantasse para a página como raízes que aderem à terra, e cujas palavras fossem tão verdadeiras , frescas e naturais que se abrissem como botões na Primavera, embora permanecessem ocultas entre duas páginas bafientas numa biblioteca - palavras que dessem fruto todos os anos para o fiel leitor, segundo a sua espécie, em harmonia com a Natureza circundante.
(pag. 58)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Caminhada 13

[...] Um livro realmente bom é algo tão natural, inesperado e inexplicavelmente perfeito e belo como uma flor silvestre encontrada na pradaria do Oeste ou na selva do Leste.
(pag. 56)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Caminhada 12

[...] Sobrevivem enquanto o solo não se exaurir. Oh, pobre cultura do homem! Pouco se deve esperar de uma nação cujo solo vegetal se tenha exaurido e que seja forçada a converter em adubo os ossos dos seus antepassados. Ali o poeta retira o seu sustento somente de mera gordura supérflua, e o filósofo está reduzido ao tutano dos seus ossos.
(pag. 54)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Caminhada (11)

[...]Uma cidade onde uma sobranceira floresta primitiva ondula e onde outra floresta primitiva se decompõe no subsolo tem condições de produzir não só cereais e batatas, mas também poetas e filósofos para as gerações vindouras. Em semelhante solo cresceram Homero, Confúcio e outros que tais, e é dessa natureza selvagem que proveio o Reformador que comia gafanhotos e mel silvestre.
(pag.53)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Caminhada (10)

[...] Acredito na floresta, no prado e na noite que vê o trigo nascer. Precisamos de uma infusão de cicuta, de abeto ou de árvore-da-vida no chá que bebemos. Há uma grande diferença entre comer e beber para nos fortalecermos e fazê-lo por mera gula.
(pag. 46)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caminhada (9)

[...] A história de Rómulo e de Remo amamentados por uma loba não é uma lenda insignificante. Os fundadores dos estados grandiosos buscaram sustento e vigor em semelhantes fontes selvagens. E foi por não terem sido amamentados por uma loba que os filhos do Império foram derrotados e desbaratados pelos filhos das florestas do norte que o foram.
(pag. 46)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Caminhada (8)

[...] Não nos é indiferente a direcção que seguimos. Existe um caminho certo; mas somos demasiado propensos, por estupidez ou distracção, a seguir o caminho errado. De bom grado seguiríamos um caminho que nunca antes percorrêramos neste mundo, um perfeito símbolo do percurso que nos aprazaria percorrer num mundo ideal e interior: e, por vezes, é-nos sem dúvida difícil escolher um rumo, uma vez que ainda não temos dele uma noção clara.
(pág.33)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Caminhada (7)

[...] A política não passa de um campo minúsculo ao qual se acede por uma estrada mais estreita.
(pág. 27)

Até aqui a Caminhada é feita através de caminhos conhecidos, arredores de Concord, a partir deste ponto Thoreau começa a caminhada mais difícil, dentro de si (ou de nós), qual a opção a tomar, o caminho a escolher, escolher o poder, a política ou ter como brasão um líquen.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Caminhada (6)



[...] Hoje em dia, quase todos os progressos do homem, tais como as construções de casas, a desflorestação e o abate de grandes árvores, deformam simplesmente a paisagem e tornam-na cada vez mais insípida e vulgar.
Quem dera houvesse um povo que queimasse as vedações e que conservasse intacta a floresta.
(pag 26)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Caminhada (5)

[...] Uma paisagem nunca vista é uma grande felicidade , e em cada volta há sempre algo novo.
(pag. 25)